Lucro protegido
Em meio à tormenta global, existem algumas respostas defensivas para o investidor preservar lucros acumulados nos anos de céu azul
por Luís Eduardo Leal
O terremoto financeiro que liquidou grifes financeiras americanas, como o banco de investimentos Lehman Brothers, reverberou com intensidade no bolso do pequeno investidor brasileiro neste setembro negro, de triste memória. AE Investimentos ouviu especialistas em economia e finanças a fim de mapear o cenário de curto prazo e buscar táticas para superar o terreno difícil à frente.
O cenário sombrio deve persistir nos próximos meses – e, possivelmente, além. Como observa o economista-chefe da Bradesco Corretora, Dalton Gardimam, as perspectivas para a maior economia mundial são de crescimento abaixo do potencial por anos. Outros motores, como Europa e Japão, começaram a sentir de forma mais acentuada os efeitos da crise americana que, após abalar os alicerces do sistema financeiro, ameaça agora atingir a economia real e jogar o mundo em recessão prolongada.
Após prevalecer no primeiro semestre a tese de que emergentes, como o Brasil, conseguiriam sobreviver sem escoriações à turbulência nas economias centrais, agora todos os especialistas são unânimes em afirmar que o País, embora melhor preparado do que no passado para enfrentar uma grave crise internacional, sentirá seus efeitos.
O pequeno investidor brasileiro vem amargando fortes perdas na Bovespa desde junho, mas não debandou da bolsa brasileira, ao contrário do que fizeram investidores estrangeiros para cobrir prejuízos em seus mercados de origem. “Persiste o momento de busca por liquidez e aversão ao risco. Embora as quedas tenham se prolongado bastante, não há como monitorar isso. Não há como dizer que o ciclo de baixa está perto do fim”, afirma o diretor de renda variável da Unibanco Asset Management, Ronaldo Patah.
Ações de empresas de grande liquidez e fundamentos reconhecidos, como Petrobras, Vale e Gerdau, seguem com grandes descontos. Mas compras devem ser feitas com cautela, aos poucos, e com horizonte de longo prazo, lembra a gerente de advisory do Santander, Sinara Policarpo. Para quem não pode esperar indefinidamente pela recuperação do valor dos papéis, o lançamento coberto de opções é uma alternativa, recomenda o diretor de operações da Hera Investment, Nicholas Barbarisi.
O lançamento coberto de opções permite ao investidor obter ganhos em um momento de baixa no mercado. Quem possui ações da Petrobras ou Vale pode programar a venda futura dos papéis em determinada data e preço previamente acertados. Independentemente do comportamento das ações (alta, baixa ou estabilidade), o lançador das opções ganha um prêmio de risco pago por quem assume as opções de compra.
Esse prêmio de risco tende a ser maior em momentos de forte volatilidade, como o atual. O lançador perde se as ações, no mercado à vista, se valorizarem no período. Nesse caso, ele terá de vendê-las aos compradores da opção na data e pelo preço definidos antecipadamente – ou seja, por menos do que conseguiria no mercado à vista. O lançador tem, contudo, a possibilidade de comprar as opções que ele mesmo lançou até as 11h da data de exercício, nas condições de momento do mercado.
![]()
Entrevista
O Brasil melhorou, mas a queda de juros não salvará 2009, diz o economista Alexandre Schwartsman

![]()

Como Funciona
Em momentos de volatilidade, ganha importância a venda de opções para reduzir perdas potenciais
![]()
![]()













