Quarta-feira, 30 de abril de 2008, 15h52
Brasil conquista grau de investimento
Anúncio provoca euforia nos mercados; Bolsa tem recorde e maior alta desde outubro de 2002 e dólar despenca 2,52%
AE
A agência de risco Standard & Poor's elevou a classificação do Brasil para a nota "BBB-". Essa avaliação significa que o País alcançou o chamado grau de investimento, ou seja, possui baixo risco de não pagar os seus compromissos. A notícia deve provocar uma forte entrada de recursos externos para o País, já que muitos fundos de investimento estrangeiros só podem aplicar em países que possuem essa classificação.
Como esperado, o anúncio provocou euforia no mercado financeiro. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), registrou a maior alta porcentual desde 17 de outubro de 2002, de 6,33%. O indicador fechou no recorde de 67.868,5 pontos, bem acima da marca anterior, de 6 de dezembro passado, aos 66.790,8 pontos.
O dólar comercial fechou cotação mínima do dia, negociado a R$ 1,663, em baixa de 2,52%. Com o resultado, a queda acumulada pela moeda em abril ampliou-se para 5,13%. No ano, o dólar registra baixa de 6,31%.
"A decisão do S&P será um divisor de águas, pois possibilitou que a Bolsa rompesse o patamar histórico de 66 mil pontos e ela irá buscar agora os 70 mil pontos", diz Fernando Góes, analista gráfico da WIN, home broker da AlpesOs rumores de que o Brasil poderia conquistar o grau de investimento circulam no mercado desde o início deste ano. Após a decisão do governo de cobrar imposto sobre operações financeiras sobre os investimentos em renda fixa de estrangeiros, os analistas de mercado chegaram a cogitar que a elevação da nota do País poderia ser adiada.
"Neste momento o anúncio não estava mais sendo esperado, por isso trouxe euforia. E o mercado deve continuar em alta nas próximas semanas", diz Daniel Lemos, analista da Socopa Corretora.
Juros lá fora
A notícia do grau de investimento ofuscou a decisão do Banco Central dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês) em cortar o juro em 0,25 ponto porcentual, para 2% ao ano. O anúncio do juro foi feito por volta das 15h e veio em linha com o esperado pelo mercado. Esse era o dado mais aguardado para hoje, véspera de feriado, mas a nota de grau de investimento roubou a cena.
Apesar do corte, o Fed sinalizou que o ciclo de redução dos juros de sete meses pode estar perto do fim. As justificativas do BC dos EUA para a interrupção são a pressão de alta na inflação por conta dos preços dos alimentos e energia e do dólar fraco. O Fed sugeriu que novos cortes podem fazer mais mal do que bem nos próximos meses. A taxa de redesconto, que é o juro cobrado nos empréstimos diretos do Fed aos bancos, também foi cortada 0,25 ponto porcentual, para 2,25%.



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Publicado em: 30 de abril de 2008, 15h52
Alterado em: 30 de abril de 2008, 18h17







