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Sexta-feira, 21 de novembro de 2008, 12h16

Ações da Nossa Caixa disparam após compra pelo BB

Mariana Segala - AE

As ações ordinárias do banco Nossa Caixa dispararam no início das operações da Bolsa de Valores de São Paulo. Os papéis já abriram cotados a R$ 60,10, valor 17,15% acima dos R$ 51,30 do fechamento de quarta-feira – um dia antes de o Banco do Brasil anunciar oficialmente a compra da instituição paulista. Às 11h55, eles subiam 20%, cotados a R$ 61,57. O rápido movimento de correção reduz a possibilidade de lucro extraordinário aos pequenos investidores – não posicionados anteriormente no papel – que decidirem comprar a ação agora.

O Banco do Brasil vai pagar pela Nossa Caixa o equivalente a 2,36 vezes o seu patrimônio, o que representa R$ 70,63 por ação. “Como ficou acertado tag along de 100%, a tendência é de que as ações do banco paulista se ajustem ao preço oferecido”, opina gerente de pesquisa e analista do setor bancário da corretora Planner, Ricardo Martins. Isso significa que os acionistas minoritários receberão, pelas suas ações, o mesmo valor oferecido na negociação aos majoritários. “Não vejo espaço para quem estava fora do papel entrar e conseguir muita lucratividade, tanto nas operações de day trade quanto nas vendas feitas nos próximos pregões”, diz.

BB

Já as ações do Banco do Brasil iniciaram as negociações em baixa – o que é natural e esperado, segundo Martins. Os papéis ordinários abriram cotados a R$ 12,70, depois de fecharem a quarta-feira a R$ 13,32, e eram negociados em baixa de 5,11% às 11h55, aos R$ 12,64. Dois fatores principais influenciam esse movimento: o preço oferecido pela Nossa Caixa, considerado alto pelo mercado, e o fato de a negociação ter sido feita na forma de aquisição, não de troca de controle, a exemplo da fusão entre o Itaú e o Unibanco. “A operação é excelente para o BB, mas durante um ano e meio sairão R$ 300 milhões por mês do seu caixa”, explica o analista.

Os rumores sobre a negociação já tinham feito os papéis da Nossa Caixa subir cerca de 125% até quarta-feira, na contramão da Bolsa de Valores de São Paulo. Principal índice de ações do mercado brasileiro, o Ibovespa recuava mais de 47% até então. Se, de imediato, as ações do banco paulista são as mais beneficiadas, a compra promete ser positiva para o BB ao longo do tempo.

A instituição federal assume agora a liderança no Estado de São Paulo, com 1.324 agências, frente às 1.240 que o conglomerado Itaú-Unibanco detém. “Passados os ajustes, os papéis do BB ficam interessantes pelo porte que adquire, além da expectativa de aquisição de outros bancos”, afirma Martins. De acordo com o AE Consenso, serviço da Agência Estado de coleta de recomendações dos analistas do mercado financeiro, o preço-alvo médio das ações do Banco do Brasil para o fim deste ano é de R$ 31,30, um ganho de cerca de 146%.

Setor

Assim como no BB, o investimento no setor bancário é considerado interessante pelo analista da Planner – mas o foco deve estar nos grandes bancos. “Os banqueiros do Brasil sabem fazer bons negócios e manter as margens de lucro”, afirma. Bancos menores, no entanto, não são recomendados por Martins, diante da crise financeira que assola o planeta. “Bancos pequenos têm problemas mais sérios por atuarem em nichos em que a desaceleração é mais forte.” Com o enxugamento das linhas de crédito internacionais, há meses eles vêm encontrando dificuldades para captar recursos no exterior para emprestar internamente.

Publicado em: 21 de novembro de 2008, 12h16
Alterado em: 21 de novembro de 2008, 12h19



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