Sexta-feira, 07 de novembro de 2008, 18h25
Mercado ignora Payroll e Bovespa sobe 0,83%
Claudia Violante - AE
O indicador mais aguardado do dia, o relatório do mercado de trabalho norte-americano em outubro, veio muito fraco, mas isso foi insuficiente para atrapalhar a disposição de compras dos investidores em renda variável. As bolsas fecharam em alta na Ásia, Europa, Estados Unidos e também no Brasil. Alguns dados corporativos agradaram e o fato de os investidores já terem se defendido de um payroll ruim nas últimas sessões com vendas expressivas de papéis endossaram a alta de hoje.A Bovespa terminou a sexta-feira em alta de 0,83%, aos 36.665,11 pontos. Isso foi insuficiente para garantir ganhos na primeira semana de novembro, que acabou registrando perdas de 1,59% (mesmo porcentual do mês, por ser o mesmo período). No ano, o Ibovespa acumula queda de 42,61%. O índice oscilou hoje entre a mínima de 36.297 pontos (-0,18%) e a máxima de 37.716 pontos (+3,72%). O volume financeiro somou R$ 3,519 bilhões. Os dados são preliminares.
Na próxima semana, Petrobras divulga balanço na terça-feira e analistas esperam números fortes. Hoje, as ações da estatal tiveram desempenho firme, ajudando a sustentar os ganhos do Ibovespa. Além do balanço, a alta do petróleo no mercado externo (+0,44%, para US$ 61,04 o barril no contrato para dezembro na Nymex) e também a projeção do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, de um volume de reservas entre 50 bilhões e 70 bilhões de barris nas áreas já concedidas do pré-sal na Bacia de Campos (RJ) pesaram a favor. Petrobras ON subiu 1,58% e PN, 1,57%.
Vale, a outra blue chip do índice, no entanto, fechou em baixa, de 3,09% as ON e 2,02% as PNA. Os cortes de produção de siderúrgicas, a demanda menor esperada com a desaceleração econômica, externa e interna justificam tal desempenho.
Nossa Caixa ON teve a segunda maior alta do pregão, ao subir 8%. Fonte ouvida pela Agência Estado informou que o projeto de lei que autoriza o governo paulista a vender a instituição para o Banco do Brasil já está em fase final de conclusão e deverá ser encaminhado em breve para votação na Assembléia Legislativa de São Paulo. Segundo a fonte, o legislativo paulista tem que dar aval para a venda.
Mercado internacional
Às 18h15, o Dow Jones subia 1,83%, o S&P, 1,66%, e o Nasdaq, 1,28%. Em outubro, foram cortadas 240 mil vagas, ante estimativa de 200 mil dos especialistas. Foi o 10º mês seguido de cortes, que, no acumulado do ano, já somam 1,2 milhão de postos. A taxa de desemprego também desagradou, ao subir de 6,1% em setembro para 6,5% em outubro, a mais elevada desde março de 1994. Economistas esperavam alta para 6,3%.
Nada indica que esse foi o fundo do poço no mercado de trabalho. Segundo o presidente do Federal Reserve Bank de Atlanta, Dennis Lockhart, a taxa de desemprego dos EUA "vai subir um pouco mais", uma vez que a economia norte-americana permanecerá "substancialmente fraca" no primeiro semestre de 2009 e que os EUA estão em uma "crise financeira severa".
Hoje, no entanto, o dado de estoques serviu para endossar o humor para compras, mostrando que não importa qual seja o dado, mas a disposição do investidor em seguir um rumo. Os estoques no atacado diminuíram 0,1% em setembro nos EUA, o primeiro declínio em 11 meses. Os analistas esperavam alta de 0,4% para o indicador. Isso mostra que, apesar das previsões sobre os efeitos da crise sobre a economia real, na prática o consumo tem conseguido se sustentar.
Publicado em: 07 de novembro de 2008, 18h25
Alterado em: 07 de novembro de 2008, 18h30







