Quinta-feira, 30 de outubro de 2008, 17h19
Alta renda tem R$ 260 bi em ativos sob gestão
Mariana Segala - AE
Os clientes de alta renda dos bancos brasileiros – segmento chamado de private banking – detêm um total de R$ 260 bilhões em ativos sob gestão nas instituições financeiras, segundo estudo inédito sobre o setor desenvolvido pelo Boston Consulting Group e pela Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid), divulgado hoje. De 2006 para 2007, ano base da pesquisa, o volume de ativos sob gestão dessa categoria de cliente cresceu 48% – número que não deve se repetir neste ano. “Estimamos que este mercado registre um crescimento de 20% a 25% em 2008”, afirma o vice-presidente e coordenador da Comissão de Private Banking da Anbid, Celso Scaramuzza.O problema, segundo o executivo, são as atuais condições do mercado de capitais brasileiro, um “abastecedor” de clientes de private banking. Um dos fatores que ajudou famílias a enriquecer no País nos últimos anos foram as aberturas de capital de empresas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A série de IPOs (ofertas iniciais de ações), iniciada em 2004, praticamente se encerrou em 2007, ano em que 64 novas companhias entraram na Bolsa. Neste ano, apenas quatro empresas se arriscaram a lançar ações pela primeira vez.
Os R$ 260 bilhões dos clientes de private banking correspondem a 11% do total de recursos líquidos das pessoas físicas alocados nas instituições financeiras, que somam R$ 2,4 trilhões. “É um mercado grande, mas ainda incipiente”, afirma o sócio e vice-presidente do Boston Consulting Group em São Paulo, André Xavier. “É pequeno, diante da forte desigualdade de renda existente no Brasil. Eu esperaria encontrar até 40%.”
Reposicionamento
A maior parte destes recursos – 60% - está alocada em fundos de investimentos, mostra a pesquisa, que teve como base as carteiras de 12 grandes bancos do País. Neste ano, o volume de recursos em fundos deve mudar, e para menos. “Está havendo um reposicionamento”, afirma Scaramuzza. “A participação dos fundos deve ser reduzida. Não muito, mas talvez eles passem a representar 50% dos recursos.”
Os resgates mais expressivos registrados até agora, afirma o executivo da Anbid, ocorreram nos fundos multimercados. “Eles, que tiveram as maiores perdas, cederam espaço para fundos mais conservadores e para CDBs (Certificados de Depósito Bancário)”, diz. “E isso certamente implicará em um impacto sobre a receita.”
A receita das instituições financeiras com o setor de private banking – a maior parte dela proveniente das taxas de administração e performance cobradas nos fundos – cresceu 51% no ano passado em relação a 2006. Mas a esperada participação menor dos fundos nos portfólios dos clientes de alta renda e a saída de aplicações como os multimercados devem alterar esta situação. “Acredito que neste ano a receita até caia”, diz Scaramuzza.
Publicado em: 30 de outubro de 2008, 17h19
Alterado em: 30 de outubro de 2008, 17h24







