
Analistas olham para o histórico da ação
Foto: AE
Quarta-feira, 27 de agosto de 2008, 03h00
Corretoras evitam fazer coberturas de ações pouco negociadas
Setores mais acompanhados são petróleo, gás e biocombustível
Yolanda Fordelone - AE
Na Bolsa de Valores de São Paulo são negociadas ações de mais de dez setores. Segundo uma pesquisa da Apimec-SP, quase 50% dos analistas, porém, preferem analisar os papéis de apenas três segmentos: petróleo (20%), gás e biocombustível (18%) e construção e transporte (11%). “Existem 881 analistas credenciados na CVM e quase 400 empresas listadas na Bolsa. Se fosse uma distribuição balanceada seria pouco mais de dois analistas por empresa. A cobertura, no entanto, não é tão simples”, diz o superintendente de relações com investidores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Carlos Alberto Rebello Sobrinho.
“Corretoras grandes, de bancos, têm equipe suficiente para analisar 150 papéis. Às vezes, uma corretora pequena possui apenas dois analistas, o que torna inviável a análise de muitas ações”, afirma a presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-SP), Lucy Sousa. Segundo ela, o principal critério de escolha é a representatividade da ação na Bovespa.
Liquidez do papel
Segundo a pesquisa norte-americana “Há vida após a perda da cobertura de analistas?” (“Is there life after loss of analyst coverage?”*), a liquidez é um fator determinante na cobertura da ação porque implica em mais ganho para a corretora. Uma ação pouco negociada gera poucas corretagens e, conseqüentemente, menos receita para as instituições.
Além disso, para um analista cobrir uma ação, é necessário que ele se especialize, faça cursos. Para a corretora, não é vantajoso disponibilizar um funcionário para cobrir uma ação que atraia pouco interesse do investidor. É um custo fixo muito alto para uma ação que vai ter pouca procura.
Seguindo esse critério, há setores que passaram a ser acompanhados com o aumento da procura por parte dos investidores. “As ações de construtoras, por exemplo, não eram interessantes para as corretoras no início. A construção civil é um setor muito específico e que não existia na Bolsa. Com o aumento de companhias listadas, as corretoras passaram a acompanhar o setor”, lembra o superintendente da CVM.
Assim como os investidores, os analistas também olham para o histórico de desempenho da ação. Segundo a pesquisa norte-americana, ações que tiveram três trimestres consecutivos de ganhos frustrantes, na maioria dos casos, pararam de ser avaliadas.
Relações com Investidores
Um último fator que poderia ser apontado como causa para a maior cobertura de uma ação é uma área de Relações com Investidores atuante. “Uma das funções do RI é justamente convencer o analista a acompanhar a ação”, aponta Sousa, da Apimec-SP.
É o caso, por exemplo, da atuação do RI da indústria de alimentos M. Dias Branco, que abriu capital no final de 2006. Desde lá, a empresa começou a realizar reuniões Apimecs e teleconferências, deixando as informações acessíveis e a empresa mais transparente. Apesar do baixo volume financeiro movimentado nos pregões (em julho, foram R$ 65 milhões), atualmente, seis corretoras já cobrem a ação.
Quem, apesar de todos os riscos, optar por avaliar uma ação individualmente deve fazer cursos e estudar bastante para conseguir calcular os indicadores da ação a partir dos balanços. “Não recomendo a análise individual, mas quem quiser deve, pelo menos, optar por empresas que tenham RI, para conseguir tirar as dúvidas. O investidor que investe em ação que não é coberta ou é especialista ou está aplicando às cegas”, alerta a presidente da Apimec-SP.
* Estudo realizado por Ajay Khorana, do Georgia Institute of Technology, Simona Mola, da Arizona State University, e Raghavendra Rau, da Purdue University.
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Publicado em: 27 de agosto de 2008, 03h00
Alterado em: 27 de agosto de 2008, 03h00







