Sexta-feira, 04 de julho de 2008, 03h00
Estratégia de fundos vencedores inclui venda de ações e "pacote anti-crise"
Para o segundo semestre, fundo do Unibanco terá foco mais defensivo, enquanto fundo da Claritas aposta em queda da Bolsa
Vinícius Pinheiro - AE
Entre os fundos que apresentaram bom resultado no primeiro semestre, apesar da crise nos mercados, está o Equity Hedge, sob a gestão do Unibanco. Com performance de 14,78% nos seis primeiros meses do ano, o produto hoje é destinado apenas a clientes de maior renda (private), mas ainda neste trimestre será estendido à rede de varejo do banco, segundo o diretor de renda variável e multimercados da instituição, Ronaldo Patah.
O fundo busca rentabilidade aplicando no mercado de ações, e pode apostar tanto na alta como na queda dos papéis. Segundo Patah, na maior parte do tempo o Equity Hedge ficou “vendido”, ou seja, obteve lucro nos momentos em que a Bolsa caiu.
Outra posição bem sucedida do fundo do Unibanco foi a venda de ações do setor de aviação. “Consideramos que o cenário de alta do petróleo afetaria os custos das empresas aéreas e o desempenho das ações, o que acabou se comprovando”, afirma.
De acordo com Patah, o fundo deve manter estratégias mais defensivas daqui para frente. “Acreditamos que a Bolsa deve continuar sem uma tendência neste trimestre, ou seja, não deve cair muito, mas também não deve retomar as altas.” Para ele, as empresas de energia elétrica devem ser destaque de alta, enquanto as siderúrgicas serão as perdedoras no período.
Anti-crise
Ao vislumbrar, no início deste ano, que as dificuldades na economia e dos bancos norte-americanos poderiam afetar o desempenho dos mercados, a estratégia da Claritas Investimentos foi montar para seus fundos uma espécie de “pacote anti-crise”. A estratégia deu certo e os fundos Claritas Hedge e Hedge 30 renderam no primeiro semestre 11,24% e 11,20%, respectivamente.
Segundo Renato Abucham, sócio da Claritas, a principal contribuição para o retorno dos fundos veio do investimento em derivativos de crédito, ou seja, apostas na elevação do risco de bancos ou empresas. Nesse caso, Abucham apostou que o risco dos bancos americanos iria subir, por conta da crise do subprime.
Outra aposta certeira da gestora foi no mercado de juros futuros na BM&F. “No início do ano boa parte dos investidores não acreditava que as taxas pudessem subir, como acabou acontecendo”, destaca. O Claritas Hedge registrou ganhos ainda com a estratégia de ficar vendido em Bolsa (apostar no recuo das ações).
Para o segundo semestre, Abucham se diz “menos pessimista”. Ele acredita que as medidas tomadas pelos Bancos Centrais para conter a crise terão resultado ao longo do segundo semestre. “O mau humor deve passar, e quando isso acontecer a Bovespa voltará a ficar atrativa”, prevê. Enquanto isso não acontece, a posição do fundo permanece vendida (apostando na baixa) em Bolsa.
Embora também corram riscos, os fundos da Claritas e do Unibanco possuem uma possibilidade de perdas menores em relação aos produtos da Sparta e do Opportunity. Enquanto a perda esperada em um mês para o Claritas Hedge é de 2,17%, no produto do Unibanco, a queda pode chegar a 2,69%, de acordo com cálculos do site Fortuna.
Publicado em: 04 de julho de 2008, 03h00
Alterado em: 04 de julho de 2008, 03h00







