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Alberto entrou para um novo clube de investimento

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Alberto entrou para um novo clube de investimento

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Quarta-feira, 28 de maio de 2008, 07h00

Investidores vão para a Bolsa

Conquista do grau de investimento incentivou aplicações de novatos em ações e fez quem já investia ampliar seus negócios

Wellington Miyazaki - AE

As perspectivas da pedagoga Regina Nunes para a Bolsa de Valores de São Paulo ganharam novo horizonte no dia 30 de abril, data em que o Brasil conquistou o grau de investimento. A expectativa de que o título traria um volume alto de aplicações estrangeiras para a Bovespa e de que isso possibilitaria novos ganhos fizeram com que Regina se animasse e concretizasse algo que até então não estava nos seus planos financeiros: aplicar em ações.

O investimento escolhido foi um fundo de ações, no qual a professora aplicou R$ 1,2 mil. “Esse fundo foi meu primeiro investimento em renda variável e só me senti mais segura para fazê-lo após o grau de investimento”, explica. Antes do fundo, as aplicações da pedagoga estavam concentradas na poupança e agora ela espera obter uma rentabilidade maior. “Sem o grau de investimento, certamente eu continuaria sem aplicar em Bolsa”, diz.

Assim como Regina, muitos outros investidores iniciaram-se no mercado de ações por ficarem animados com o título. Segundo as corretoras, no entanto, houve uma procura muito grande também de pessoas que já possuíam familiaridade com o mercado de ações e que apenas ampliaram seus investimentos em Bolsa.

Esse foi o caso do estagiário bancário, Bruno Eduardo Carvalho. Ele havia iniciado suas aplicações rentemente, em março, quando decidiu tirar uma parte do dinheiro que possuía na poupança para aplicar na Bovespa e o lote de ações escolhido foi da Petrobras. Carvalho conta que não possuía muitas ambições em Bolsa e estava fazendo apenas uma experiência, mas, após a inesperada conquista do grau de investimento, seu apetite por risco cresceu e ele decidiu concentrar 100% do seu capital em ações. “Com isso, meus investimentos em Bolsa quadruplicaram”, diz. “Agora estou apostando que a Fitch (agência classificadora de risco) também dê o grau de investimento ao Brasil”, completa.

Mais investidores

Os casos de Regina e Carvalho fazem parte de um movimento de retomada de ânimo em Bolsa. Segundo dados da Anbid, órgão que regulamenta a indústria de fundos, os fundos de ações apresentam captação positiva de R$ 35 milhões nos primeiros 19 dias de maio, contra um saldo negativo de R$ 2,3 bilhões em abril.

Dados da Bovespa também evidenciam uma procura maior por aplicações em Bolsa. Nos primeiros 20 dias de maio, os investidores pessoa física movimentaram R$ 52,12 bilhões, valor 55% superior aos R$ 33,6 bilhões movimentados em todo o mês de abril. A participação do investidor pessoa física no total investido em Bolsa também cresceu, de 25,88% em abril para 28% em maio.

Segundo as corretoras, boa parte desse interesse por ações foi canalizado para clubes de investimento, que chegaram a dobrar o volume de pedidos, como foi o caso da corretora Planner. Já na corretora Socopa, a procura por clubes cresceu em torno de 50%. Nas duas corretoras, a maior parte dos interessados já possuía investimentos em ações. “A procura aumentou muito”, diz o diretor da Socopa, Marcos Monteiro.

O engenheiro eletrônico Alberto Barbosa foi um dos que se interessou por investir através de clubes e o fez através da corretora Solidez. Ele já aplicava na Bovespa há um ano, mas, animado com o novo título, ele decidiu criar, juntamente com cerca de 20 amigos e conhecidos, um clube de investimento. O clube vai chamar-se Clube de Investimento de Aço e já teve seu pedido de abertura efetivado junto à corretora.

“Muitos dos investidores do clube estão começando a aplicar agora, empolgados com a Bolsa após o grau de investimento”, diz. Barbosa decidiu não só ampliar suas aplicações, como fazer cursos de aperfeiçoamento. Recentemente, ele fez um curso de final de semana sobre aplicações através da análise técnica, ou gráfica, que tenta projetar as tendências para as ações através da observação de seus gráficos históricos de desempenho.

Cuidado: novo título não tirou risco da Bolsa

Os especialistas alertam que a euforia gerada pelo grau de investimento deve ser vista com certa cautela, pois, ao contrário do que muitos investidores pensam, a conquista desse título não reduziu os riscos que o mercados de ações contém. O mais provável, na verdade, é que a volatilidade seja até mesmo ampliada à medida em que aumenta o volume de capital movimentado em Bolsa, dizem os analistas. “Com mais capital, há mais oportunidades de especulação”, afirma o diretor de Bolsa da Indusval Corretora, José Costa Gonçalves.

Ele explica que, apesar de o grau de investimento de fato trazer boas perspectivas em relação ao fluxo de capital externo para o Brasil, não há garantias de que isso ocorra, ao menos na proporção que tem sido esperada. “O Brasil agora é mais um entre muitos países que possuem o título de grau de investimento e mais um que pode, ou não, receber dinheiro do exterior”, diz.

Além disso, lembra Gonçalves, o capital internacional, apesar de necessário, é um capital de risco, pois os estrangeiros costumam vender ações que possuem em outros países para compensar recuos em seus mercados de origem. Como a maior parte do capital estrangeiro no Brasil vem dos EUA, o risco é ainda maior, pois a crise norte-americana ainda não terminou e o mercado de ações dos EUA continua sujeito à volatilidade. “Há investidores que entraram em Bolsa pela emoção da noticia em relação ao grau de investimento, mas é importante que eles mantenham o foco no longo prazo”, diz.

Publicado em: 28 de maio de 2008, 07h00
Alterado em: 28 de maio de 2008, 07h00



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