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Sexta-feira, 09 de maio de 2008, 07h00

Analistas estimam que Ibovespa pode subir até 35% no ano

Estimativas variam entre 70 mil e 86 mil pontos

Célia Froufe, Flavio Leonel e Francisco Carlos de Assis - AE

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem potencial de valorização de até 35,00% até o final do ano, segundo projeções de 14 analistas consultados pela Agência Estado. A possibilidade de ganho foi feita com base na previsão mais elevada e na pontuação verificada na terça-feira da semana passada (63.825), véspera do anúncio do grau de investimento pela Standard & Poor’s (S&P) para o Brasil. Na comparação com o último dia de negócios de 2007, o potencial é similar, já que, na ocasião, a Bolsa estava em 63.886 pontos.

Se, antes da notícia, as projeções iam de 67.000 a 86.000 pontos para o Ibovespa, com média de 76.764 pontos, após a obtenção do selo, a menor perspectiva subiu para 70.000 pontos e a maior manteve-se, com a média saltando para 79.242 pontos (veja tabela no final do texto). Com as alterações, o potencial médio de valorização passou de 20,27% para 24,15%.

Ainda que o anúncio em si não tivesse sido uma surpresa, já que muitos analistas contavam com o selo de qualidade por pelo menos uma agência de classificação de riscos este ano, o timing da divulgação da S&P foi inesperado. A divulgação fez com que algumas casas revisassem seus prognósticos para o comportamento da cesta de ações este ano, com upside chegando até a 10.000 pontos. O intervalo entre a menor e a maior projeção, no entanto, não foi alterado.

Investimento Estrangeiro Direto (IED) deve crescer, dizem especialistas

A estimativa mais alta (86.000 pontos) foi apresentada pelos analistas do Banco Credit Suisse Roberto Attuch e Henrique Caldeira por meio de relatório enviado a clientes no início de março e não sofreu alteração após o Brasil ser classificado como BBB-. Na ocasião, segundo o documento, os profissionais ressaltaram que as ações de segunda linha teriam espaço para ganho num cenário de grau de investimento. Contavam, portanto, com o upgrade.

A mesma avaliação foi feita recentemente pela estrategista da Fator Corretora, Lika Takahashi, ainda que tenha considerado a decisão como uma surpresa. Ela lembra que, entre os efeitos esperados do grau de investimento estão a apreciação do real, o aumento da renda, a maior facilidade a recursos externos e o crescimento do Investimento Estrangeiro Direto (IED). “Desta forma, os grandes beneficiários são bancos, consumo e empresas com alto endividamento e/ou grande necessidade de investimento e/ou alto valor terminal”, enumerou, referindo-se a setores de utilidades públicas, infra-estrutura e construção civil.

A expectativa de Lika para o comportamento da Bolsa nos próximos meses é o inverso do que tem acontecido desde o ano passado. “As histórias domésticas e as empresas de segunda linha devem se valorizar mais do que aquelas relacionadas com commodities e, novamente, os índices não serão um bom guia para analisar o que acontece com a Bolsa em geral.” Por esses motivos e pelo fato de que a curva de DI e o risco País continuarem similares às projeções da corretora, a estrategista manteve a expectativa de o Ibovespa chegar aos 75.000 pontos ao final do ano.

No Banco Schahin, o economista-chefe, Silvio Campos Neto, preferiu não modificar a expectativa para a pontuação do índice no final de 2008, já que considerou o número de 76.000 pontos - calculado antes da concessão do grau de investimento - em um nível forte e adequado para o que vinha sendo aguardado por especialistas. “Mas eu trabalho com um viés de alta. Não descartaria a hipótese de a Bolsa chegar aos 80.000 pontos no final do ano. Seria factível”, comentou.

Na Corretora Souza Barros, a alteração foi feita após o anúncio do grau de investimento. Em vez de esperarem, como antes, que o Ibovespa atinja 70.000 pontos ao final do ano, o índice deverá chegar a 79.000 pontos porque, segundo os analistas da instituição, a nova classificação deve trazer algumas conseqüências imediatas para o País. "Uma delas, incontestável, é o aumento de investimento estrangeiro", consideraram em relatório a clientes. Outra vantagem apresentada pelos profissionais é a maior facilidade para captação de empréstimos internacionais, com custos menores. Mesmo a nova estimativa poderá ser substituída pela Souza Barros caso as outras agências de riscos (Moody’s e Fitch) também melhorem a classificação do Brasil.

Nem todos, no entanto, apostam todas as fichas na valorização constante da bolsa paulista. É o caso do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, que, em princípio, acredita que o Ibovespa deverá sofrer alguma alteração para cima na sua pontuação. Todavia, esta mudança deverá ser temporária, indicando que o deslumbramento do mercado será restrito mais ao anúncio antecipado do upgrade do que uma alteração real da economia em relação ao que já vem acontecendo em função dos bons fundamentos independente do investment grade. De acordo com Gonçalves, o Ibovespa deverá fechar o ano ao redor dos 70.000 pontos. “Não me espantaria se a Bolsa caísse para abaixo disso”, concluiu o economista do Fator.

Projeções para Ibovespa em 2008

 Instituições

 Projeção antiga (pontos)

 Projeção nova (pontos)

 Citibank

 67.000

 74.000 

 Banco Fator

 70.000

 70.000

 Corretora Souza Barros

 70.000

 79.000

 Banco Santander

 72.000

 72.000

 Fator Corretora

 75.000

 75.000

 SulAmérica

 75.000

 85.000

 Banco Schahin

 76.000

 76.000

 Ativa Corretora

 77.500

 81.200

 JPMorgan

 78.000

 78.000

 Merrill Lynch

 80.000

 80.000

 CM Campital Markets

 80.000

 85.000

 Itaú Securities

 83.200

 83.200

 UBS

 85.000

 85.000

 Credit Suisse

 86.000

 86.000

Fonte: AE/ Brodcast

 

Veja também:

Brasil conquista grau de investimento

Além do Brasil, quatro países possuem a mesma nota de grau de investimento da S&P

 

Publicado em: 09 de maio de 2008, 07h00
Alterado em: 09 de maio de 2008, 07h00



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