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Vitor Leibel freqüenta salas de ações

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Vitor Leibel freqüenta salas de ações

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Sexta-feira, 18 de abril de 2008, 06h00

Salas de ações: ponto de encontro para quem quer investir

Localizadas em agências ou corretoras, esses espaços propiciam a troca de informações entre especialistas e novatos

Yolanda Fordelone - AE

Diariamente, um grupo de moradores de Florianópolis sai de casa, pouco depois das 10 horas, para freqüentar uma espécie de lan-house de investidores. Até as 17 horas, passam o dia analisando o comportamento das ações e buscando oportunidades de lucro na Bolsa. A dedicação é tamanha que, há alguns meses, as esposas, enciumadas, começaram a desconfiar se os maridos permaneciam realmente no banco realizando negócios. Para resolver a questão – e não perder clientes -, a gerente da agência as reuniu em um chá da tarde e as apresentou o local onde os maridos passam o dia: a sala de ações.

Hoje há dezenas de salas de ações espalhadas pelo País. Localizadas nas dependências de agências bancárias ou corretoras, essas salas foram criadas para criar uma maior proximidade com o investidor comum. Com os serviços oferecidos, o cliente ganha confiança para operar sozinho. “Essas salas são a porta de entrada aos interessados no mercado acionário”, avalia o presidente da corretora Itaú, Roberto Nishikawa.

“Negociar de casa é mais complicado porque sempre há coisas te distraindo ou pessoas falando em volta”, afirma o corretor de imóveis Vitor Tendler Leibel, que faz negócios pela sala de ações da corretora Ágora pelo menos três vezes por semana. “Lá, também posso trocar informações com outros investidores”, conta.

Normalmente, essas salas têm dez computadores ou menos e, para freqüentá-las, não há custos. Basta que o investidor seja cliente da corretora ou do banco. Além de monitores com informações financeiras em tempo real, jornais do dia é até cafezinho, alguns desses espaços contam com mesas de reunião para que os investidores discutam tendências, exatamente como fazem os profissionais do mercado financeiro.

Uma das principais vantagens, em relação a operar sozinho, é o acesso direto aos consultores das corretoras que auxiliam na tomada de decisões. Cada sala dos bancos Santander e Itaú, por exemplo, possui entre dois e três funcionários treinados pela corretora do banco. Toda manhã, esses profissionais que atendem exclusivamente os clientes freqüentadores das salas de ações participam de uma conferência telefônica com economistas e gestores da instituição na qual trabalham e até com alguns especialistas situados em outros países. “Quem fica na sala de ações para auxiliar os investidores é um profissional habilitado a dar todas as informações de mercado”, conta o superintendente-executivo da corretora Bradesco, Wlademir Bidoy Mendonça.

Outro benefício de freqüentar o espaço é a convivência com outros investidores. “Alguns freqüentadores assíduos chegam até a se tornar referência”, diz Pimenta. São eles que apresentam os novatos ao grupo e, entre os veteranos, há os especialistas em setores, que até dão dicas. A troca de informações entre um café e outro e o relacionamento diário com investidores garante o fechamento de negócios fora das salas de ações também. “Já houve casos em que os investidores fundaram clubes de investimento”, destaca o gerente de mesas de agências home broker do Bradesco, Luis Paulo Lomonaco.

Ponto de encontro

O perfil dos freqüentadores é bem variado, segundo as corretoras, mas é centrado em aposentados e profissionais liberais. “Em geral, é o investidor que já conseguiu uma boa condição financeira e não gosta de delegar aos gestores de fundos as decisões de onde aplicar”, afirma o diretor superintendente do Santander.

Há acionistas que permanecem o dia inteiro nas salas e aqueles que apenas passam no local e enviam ordens. “O almoço é o horário de pico em muitas salas, pois reúne os dois públicos”, completa Pimenta.

Algumas salas concentram um público específico, como o espaço do Itaú em uma agência da Praça Panamericana. “O local é próximo à Universidade de São Paulo e, por isso, muitos jovens investidores a freqüentam”, conta a gerente comercial da corretora Bradesco, Karina Melendez.

Independentemente do horário ou da sala de ações, dizem os freqüentadores, o clima é de camaradagem. "É comum que os clientes freqüentadores das salas de ações fiquem amigos e até comecem a sair nos fins-de-semana”, diz o diretor-superintendente da corretora Santander, João Carlos Pimenta.

Atualmente, são inúmeras salas de ações espalhadas por todo o País e, por isso, opções de locais não faltam aos investidores interessados. Somente o Santander soma 91 salas desse tipo, inclusive em Estados onde a participação do investidor comum na Bolsa é menor, como na Paraíba. O Bradesco possui 11 salas e pretende lançar mais 30 salas até o final de 2008. Já o Itaú oferece seis espaços, mas o serviço é oferecido apenas para clientes personnalité (investidores com aplicações acima de R$ 50 mil e renda superior a R$ 5 mil). “Pretendemos fechar o semestre com o total de 10 espaços”, diz Nishikawa.

Publicado em: 18 de abril de 2008, 06h00
Alterado em: 18 de abril de 2008, 06h00



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