Segunda-feira, 03 de março de 2008, 16h00
Aplicação em dólar? Desista!
A recomendação dos analistas para quem tem dinheiro em fundo cambial é sair da aplicação, mesmo que tenha prejuízo
Olívia Bulla - AE
O preço do dólar não pára de cair. Mesmo com a turbulência nos mercados financeiros por conta das preocupações com os Estados Unidos, a moeda norte-americana acumula perda no ano de quase 6% e nos últimos 12 meses, de 21%. O enfraquecimento do dólar também ocorre em relação a outras moedas, como o euro. Por isso a recomendação dos analistas para quem tem dinheiro em fundo cambial é sair da aplicação, mesmo que tenha prejuízo. Nos últimos 12 meses, esses fundos perderam, em média, 10,3%. Isso quer dizer que a cada R$ 100 aplicados, o investidor tem hoje apenas R$ 89,70.
“Hoje não vale a pena aplicar em fundos cambiais”, diz o diretor de câmbio da corretora Pionner, João Medeiros. O fundo cambial só é interessante quando o dólar está em tendência firme de alta e a expectativa dos analistas é que a moeda encerre o ano perto da cotação atual. Ontem, o dólar comercial encerrou os negócios cotado a R$ 1,671.
A última pesquisa semanal feita pelo Banco Central junto a uma centena de bancos, conhecida como Focus, mostra que a aposta é que o dólar encerre o ano a R$ 1,79, mas, ainda assim, essa alta não seria suficiente para cobrir as perdas dos últimos meses no fundo.
“Esperar que o dólar suba faz o investidor perder outras oportunidades de investimento”, destaca o estrategista da Intercam, Alexandre Carqueijo.
Na dúvida, previna-se
Para muitos brasileiros, que viram o preço do dólar triplicar em janeiro de 1999, é arriscado não ter uma reserva em dólar. O administrador de investimentos, Fábio Colombo, por exemplo, é um dos poucos analistas que mantém sua recomendação de aplicação em fundos cambiais como uma espécie de seguro, mesmo avaliando, também, que o dólar não deve subir muito.
Para ele, o aceitável é que um investidor com um perfil mais conservador tenha até 20% de todas as suas aplicações em fundo cambial. Já o moderado deve ter cerca de 10%. “Isso não quer dizer que o fundo vai ter um bom desempenho”, alerta.
Visto como um investimento seguro, Colombo lembra que aplicar na moeda estrangeira não tem sido uma boa opção no cenário atual, já que mesmo com as turbulências não houve sobressaltos na cotação. Mas, a alternativa não deve ser descartada. “O fundo cambial só terá boa rentabilidade se as coisas não correrem bem no nível doméstico e internacional”, ressalta.
Assim, se as preocupações com os Estados Unidos se acentuarem ainda mais e provocarem um forte movimento de redução dos investimentos estrangeiros em países emergentes, a oferta de dólar no Brasil irá diminuir e a moeda subirá. Com isso, quem deixou parte de suas reservas atrelada ao dólar tem dinheiro garantido. “Nesse cenário, as aplicações em bolsa pioram e as cambiais melhoram”, completa.
Colombo recomenda que o investidor mais conservador compre agora – quando os preços estão em baixa - os dólares necessários para o compromisso futuro ou faça uma aplicação em um fundo cambial. “Quem é mais agressivo, deixará para comprar na véspera, apostando na queda do dólar”, conclui.
Por que o dólar deve continuar em queda?
As apostas de que o dólar não deve subir muito este ano levam em consideração que a taxa de juro brasileira elevada e a bolsa de valores devem continuar atraindo investidores estrangeiros. Além disso, a balança comercial deve continuar registrando saldo positivo, embora a perspectiva seja de aumento das importações. Ontem, no entanto, o resultado da balança comercial mostrou que as exportações superaram as importações, o que ajudou a ampliar a queda do dólar.
“Há uma oferta maior que a procura, o que empurra a cotação para baixo”, explica o analista de câmbio da corretora Liquidez, Mário Paiva.
Segundo especialistas, ainda que o receio de uma recessão nos Estados Unidos possa diminuir a entrada de dólares no Brasil no curto prazo, as perspectivas são favoráveis no longo prazo por conta dos fundamentos econômicos positivos do País, o que afasta projeções de que o dólar volte a ser vendido perto de R$ 2.
Publicado em: 03 de março de 2008, 16h00
Alterado em: 03 de março de 2008, 16h00







