
Foto: Marcelo Corrêa/AE
Gávea aparece como a maior gestora independente de fundos do País
Quinta-feira, 20 de novembro de 2008, 03h00
Crise à parte, algumas gestoras registram crescimento
Pelo ranking da Anbid, são poucos os casos, mas eles existem. Conheça quem se deu bem
Mariana Segala - AE
Encontrar gestoras independentes de fundos de investimentos que tenham conseguido engordar o patrimônio sob administração tem sido tarefa hercúlea nos últimos meses. Desde outubro do ano passado, houve um verdadeiro rearranjo entre estas instituições na lista dos maiores gestores de fundos do País. Dentre as que são hoje as gestoras independentes mais expressivas – de acordo com o ranking mais recente (de outubro) da Associação Nacional de Bancos de Investimentos (Anbid), divulgado ontem (19) – é possível contar nos dedos as que aumentaram o patrimônio.
Apesar de os casos serem raros, algumas gestoras conseguiram, sim, em meio à crise, crescer. Uma delas é a Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. De acordo com a Anbid, hoje a empresa aparece como a maior gestora independente de fundos, com um patrimônio sob gestão de R$ 3,4 bilhões – R$ 7 milhões menor que o registrado em setembro, mas 10,6% maior que os R$ 3,08 bilhões de outubro do ano passado.
O patrimônio dos fundos pode crescer por duas vertentes. Uma são os novos depósitos feitos pelos investidores. A outra é a própria rentabilidade da aplicação. Procurada pela Agência Estado, a Gávea informou que não se manifestaria sobre os números.
Outro destino
Gestoras que andavam lado a lado com a empresa de Fraga no ano passado tiveram um destino bem diferente. O patrimônio em fundos da Mauá Investimentos, do ex-diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo e ex-sócio-fundador da Gávea, passou de R$ 2,368 bilhões em outubro de 2007 para R$ 362 milhões em outubro passado. Já o tamanho da Quest, do também ex-BC e ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, caiu de R$ 2,920 bilhões para R$ 630 milhões. A queda do patrimônio seu deu principalmente por conta de saques feitos pelos investidores, diante das fracas performances alcançadas pelos fundos – em especial os multimercados, vedetes das gestoras independentes.
Entre as que cresceram, o sentimento remete ao ditado “em terra de cego, quem tem olho é rei”. “Este é um período complicado. Há uma migração cavalar de produtos mais voláteis para os mais conservadores”, diz o sócio e co-fundador da Polo Gestão de Fundos Marcos Duarte. A empresa elevou o patrimônio em fundos de R$ 896 milhões para R$ 1,158 bilhão entre outubro de 2007 e o mês passado. Na opinião do especialista, os números refletem o perfil do cliente da gestora: investidores que normalmente estão há mais tempo no mercado e, por isso, são mais “fiéis” ao investimento.
Isso ocorre, segundo Duarte, porque os fundos da Polo não permanecem abertos todo o tempo. “O Polo Fia (fundo de ações) abre para investimentos uma vez por ano e o Polo Norte (multimercado), a cada dois meses, e com limitações”, explica. “Não costumamos deixar o patrimônio do fundo de ações crescer mais que 10% com as captações. No multimercado, limitamos a aplicação a R$ 350 mil por pessoa.” Com isso, quem entra são pessoas que investem há anos e estão habituadas à volatilidade do mercado. Além disso, os fundos exclusivos – direcionados a uma pessoa ou família – da gestora têm carência entre dois e cinco anos. Da aplicação até esse período ser encerrado, o investidor não pode sacar o dinheiro.
Rentabilidade
A JGP foi outra gestora que conseguiu, no mínimo, manter o patrimônio constante – de R$ 1,159 bilhão em outubro de 2007, o valor passou para R$ 1,188 no mês passado. A razão, para o sócio Maurício Werneck, está na rentabilidade dos principais fundos. No positivo neste ano – embora abaixo da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) – o lucro ajudou a compensar os saques registrados nas aplicações e a evitar resgates maciços. “O multimercado JGP Hedge está rendendo 82% do CDI no ano e o JGP Max, mais agressivo, rende 72% do CDI em 2008”, conta Werneck. “Em termos absolutos, não é algo que salte aos olhos. Mas em termos relativos, frente à concorrência, é um bom trabalho.”
Outras gestoras registraram aumento de patrimônio exclusivamente por conta de mudanças estruturais, que causam distorções no ranking. É o caso da Arsenal Investimentos que, pelos dados da Anbid, teve o patrimônio elevado de R$ 112,4 milhões para R$ 906,5 milhões nos doze meses até outubro passado.
Explique-se: pela metodologia da Anbid, o ranking considera para os cálculos apenas o patrimônio em fundos que investem diretamente em ativos financeiros – os chamados FIs – mas não o de fundos que aplicam em cotas de outros fundos – os FICs. “Nos últimos meses, convertemos vários dos nossos FICs em FIs, que agora passaram a aparecer no ranking”, afirma Gustavo Coelho, responsável pela área de alocação de recursos da Arsenal. Isso não significa, portanto, que o patrimônio da gestora tenha crescido no período. Na verdade, de acordo com Coelho, ela permaneceu praticamente estável em cerca de R$ 2 bilhões.
| Saiba mais |
Publicado em: 20 de novembro de 2008, 03h00
Alterado em: 20 de novembro de 2008, 03h00







