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    Na tormenta, ancore-se em títulos públicos

    Imagem: Marcelo Corrêa/AE

    Na tormenta, ancore-se em títulos públicos

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    Segunda-feira, 29 de setembro de 2008, 03h00

    Opte pelos títulos públicos para se proteger dos efeitos de crises

    Historicamente considerados investimentos de proteção, ouro, imóveis ou até dólar perdem espaço nas recomendações dos analistas

    Mariana Segala com colaboração de Natália Rezende - AE

    Há quem diga que o ouro é o último refúgio para o dinheiro. Ou que os imóveis são capazes de preservar valor. Ou ainda que aplicar em moedas estrangeiras é a saída para escapar da inflação. Não que estas premissas estejam erradas, mas atualmente o porto seguro para as economias do pequeno investidor brasileiro, na opinião dos analistas, é bem outro. Em tempos de incerteza e dúvida sobre os desdobramentos da crise de crédito originada nos Estados Unidos, “os títulos públicos brasileiros são o melhor investimento do universo”, avalia o economista da LCA Consultores, Celso Toledo.

    Vistos pelos analistas como a “bola da vez”, os títulos agregam características dificilmente encontradas juntas em outros investimentos historicamente considerados seguros. “São sólidos, possuem liquidez e rentabilidade. É todo o necessário”, destaca o sócio da consultoria Beta Advisors, Rogério Betti. E como a capacidade de pagamento do País não está em questão – como já esteve em diversos outros momentos da história – os títulos são fortemente indicados aos investidores assustados com os problemas norte-americanos.

    A liquidez (grau de facilidade de conversão em dinheiro vivo) é uma das características mais valorizadas nos títulos públicos – e um dos maiores problemas apontados no investimento em ativos ainda considerados reais por, em qualquer circunstância, preservar o valor de compra, como o ouro ou os imóveis. “O ouro teve, tem e sempre terá status de aplicação segura, mas nosso mercado no Brasil não é tão eficiente quanto em outros países”, pondera o diretor da distribuidora Fitta, André Nunes.

    Ao cheiro de instabilidade, cresce a procura por ouro, refletida instantaneamente na cotação. Só neste setembro negro, quando problemas em tradicionais bancos dos EUA mostraram o peso da crise, o preço do grama do metal negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) subiu 19,32%, fechando a R$ 52,50 na quarta-feira, dia 24. A dificuldade, porém, está na quantidade reduzida de negócios. Semana passada (15 a 19), no auge da crise, foram negociados 407 contratos. Em agosto, foram 799. “Falta acesso ao pequeno investidor”, observa o diretor da distribuidora Marsam, José Inácio Franco. Um contrato padrão da BM&F, de 250 gramas, custa cerca de R$ 13 mil. A Bolsa chegou a cogitar o lançamentos de contratos mais baratos (minicontratos) de ouro em 2007, mas a idéia não vingou. Segundo a assessoria de imprensa, espera-se por um “momento melhor”.

    Preço do ouro

    O preço do ouro no Brasil anda lado a lado com a cotação do dólar – moeda, aliás, que até a criação do Plano Real era tida como investimento de proteção. “Enquanto o Brasil teve inflação alta, o dólar era considerado seguro porque escapava da elevação dos preços no Brasil”, diz o administrador de investimentos Fábio Colombo. “Mas a partir do momento em que o País começou a crescer e a economia ganhou estabilidade, essa característica acabou.” Ele recomenda a aplicação apenas como forma de diversificação. “Para o investidor que vive no Brasil e que gasta em reais, aplicar em dólar não vale a pena”, completa o economista da LLA Investimentos, Sergio Manoel Correia.

    Nos últimos dias, a cotação da moeda norte-americana subiu e atingiu R$ 1,93. Neste mês, a valorização acumulada até o dia 25 é de 11,64%. A disparada ocorreu por conta do aumento da procura por títulos do Tesouro norte-americano pelos investidores, conceitualmente considerados como aplicações menos sujeitas a risco, explica a diretora de câmbio da corretora AGK, Miriam Tavares. É que investidores do mundo todo passaram a comprar a moeda norte-americana para investir em títulos públicos dos EUA e isso aumentou a procura pela moeda. “E, conseqüentemente, elevou a sua cotação.”

    Os imóveis, por sua vez, mantêm a imagem de investimento seguro. “O risco de perder dinheiro aplicando neles é bem menor do que emprestando a uma empresa, que pode falir. O valor é bem mais estável”, afirma Toledo, da LCA. Mas isso tem um custo que é abrir mão da liquidez, assim como no caso do ouro. “É um investimento que peca pela dificuldade de ser vendido”, completa o sócio e diretor de operações da Hera Investimentos, Nicholas Barbarisi. Por isso, é o tipo de aplicação que merece ser bem pensada. “Não recomendo que o investidor saia comprando diante da crise”, afirma Toledo.

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    Publicado em: 29 de setembro de 2008, 03h00
    Alterado em: 29 de setembro de 2008, 03h00



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