
Marcelo Corrêa/AE
Investidor teme desaceleração econômica
Quinta-feira, 21 de agosto de 2008, 03h00
Como o fim das Olimpíadas pode afetar os seus investimentos
China pode passar por desaceleração econômica que pode afetar ações de empresas brasileiras. Veja o que dizem os especialistas
Vinícius Pinheiro - AE
Os Jogos Olímpicos de Pequim chegam ao fim neste domingo, mas os olhares do mundo deverão se manter na China após a disputa pelas medalhas. Das piscinas e pistas de atletismo, o foco passará a ser o desempenho da economia do gigante asiático.O principal temor dos investidores é o de que a China passe por um processo de desaceleração econômica mais intenso após as Olimpíadas. Isso porque, para se preparar para os Jogos, o país asiático precisou intensificar os investimentos em infra-estrutura. Caso esse ritmo diminua depois da competição, a demanda chinesa poderá sofrer uma retração mais abrupta do que o esperado.
Ontem, o vice-primeiro ministro da China, Li Keqiang, citado pela agência Xinhua News, reforçou essa preocupação. Ele teria dito que o governo pretende elevar o consumo doméstico urgentemente para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças na situação econômica global.
A crise financeira norte-americana também é uma fonte de preocupação para a China, uma vez que a atividade econômica do país é altamente dependente das exportações para os Estados Unidos.
A confirmação de um cenário de crescimento menor na China seria muito negativo para o Brasil pelo mesmo motivo, já que o país é um dos principais destinos dos produtos nacionais, em especial de matérias-primas (commodities) como o minério de ferro e grãos.
De acordo com especialistas consultados pelo portal AE Investimentos, a possibilidade de que o crescimento chinês diminua é, de fato, negativa para a economia mundial e para o Brasil. O consultor de Análises Econômicas do Itaú, Joel Bogdanski, afirma que a economia chinesa já vem reduzindo o crescimento desde o segundo semestre do ano passado.
Por outro lado, ele não acredita que o fim das Olimpíadas poderá provocar uma retração maior. “É preciso deixar claro uma desaceleração na China tem uma dimensão bem diferente do que em qualquer outro lugar”, diz. Nesse caso, o país asiático deve reduzir o ritmo de crescimento de um patamar entre 11,5% e 12% ao ano para algo próximo a 9% em 2008, pelas projeções do Itaú.
Segundo o coordenador de pesquisas macroeconômicas da Unibanco Asset Management (UAM), José Luciano da Silva Costa, uma das expectativas dos investidores é de que o governo anuncie medidas para estimular o consumo interno após as Olimpíadas. “Existe hoje uma preocupação sobre como a China conseguirá manter o ritmo de crescimento mesmo com uma queda nas exportações”, afirma.
Onde investir?
As muitas incertezas que pairam sobre a economia chinesa e mundial podem afetar de modo significativo os investimentos no Brasil, de acordo com os analistas.
A opção para quem não deseja se preocupar neste momento é apostar no tradicional fundo DI ou aplicar em títulos pós-fixados no Tesouro Direto, sistema que permite a negociação de títulos públicos pela internet.Essas aplicações são consideradas de baixo risco e devem se beneficiar do processo de alta dos juros pelo Banco Central, pois acompanham a variação da taxa, destaca o economista da UAM.
Para quem deseja obter um retorno maior para as aplicações e está disposto a correr mais riscos, Costa sugere o investimento em títulos prefixados de longo prazo, com vencimento em 2012, ou deixar o trabalho de escolha dos títulos para o gestor, aplicando em um fundo de renda fixa.
Os ganhos, nesse caso, podem ser maiores caso a redução do crescimento chinês se confirme e provoque uma queda maior nos preços das matérias-primas (commodities) e, por conseqüência, da inflação.
Já o investimento em Bolsa é recomendado apenas para quem tem muito sangue-frio. “O movimento de baixa do mercado de ações não parece ter chegado ao fim”, avalia o economista. Por outro lado, ele ressalta que os papéis brasileiros estão em níveis de preço atrativos e podem representar uma oportunidade de compra. “É em momentos como esse que o investidor costuma fazer os melhores negócios”, diz.
De acordo com Bogdanski, do Itaú, a confirmação de que a China crescerá menos este ano já afeta o desempenho da Bovespa. Para quem tem um horizonte de prazo maior, no entanto, as empresas brasileiras são uma boa opção, já que a demanda chinesa, mesmo menor, deve se manter elevada, segundo o profissional.

Crise assusta
Para os especialistas, a China é apenas uma das fontes de preocupação do mercado financeiro neste momento. Enquanto uma queda mais expressiva no ritmo de expansão econômica do país asiático até o momento é apenas especulação, a crise financeira nos Estados Unidos é uma ameaça real.
Ao contrário do esperado por boa parte dos investidores, as dificuldades pelas quais passa a maior economia do mundo devem mesmo afetar o desempenho dos demais países. Sinais nesse sentido vieram recentemente da Europa e do Japão, que mostraram queda do Produto Interno Bruto no segundo trimestre. Ou seja, a corrida em busca das melhores opções de investimento ainda está sujeita a muitas barreiras ao longo do percurso.
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Publicado em: 21 de agosto de 2008, 03h00
Alterado em: 21 de agosto de 2008, 03h00







