
Imagem: Marcelo Corrêa/AE
Aplicação mínima alta exige pesquisa
Segunda-feira, 25 de agosto de 2008, 03h00
Clubes, alternativa de investimento simples – mas cara
Corretoras exigem valores altos de aplicação inicial. Não raro, chegam a estabelecer R$ 1 milhão como patrimônio mínimo
Mariana Segala - AE
Os clubes de investimentos são uma das maneiras mais fáceis para começar a investir em ações, certo? Somente se você – e seu grupo de amigos, colegas de trabalho ou familiares – estiver disposto a desembolsar uma bela quantia de dinheiro logo no primeiro aporte. As corretoras, responsáveis pela organização e cadastro dos clubes junto à Bolsa de Valores de São Paulo, costumam exigir elevados valores mínimos de investimento inicial. Algumas só trabalham com grupos que, na arrancada, disponham de um patrimônio de pelo menos R$ 1 milhão.O tamanho do investimento inicial fez o médico Kenji Takemoto, de 30 anos, abortar a idéia de abrir um clube com os amigos. Eles eram 15 e, no início do ano, estavam decididos a começar o investimento. Mas na hora de fechar o negócio com as corretoras, surpresa: "O menor valor patrimonial que encontramos foi de R$ 200 mil. Um balde de gelo", conta Takemoto. Envergonhado, depois de ter contagiado os amigos com sua empolgação, o médico resolveu deixar de lado a iniciativa para mais tarde. "Nunca tinha imaginado que a exigência para começar fosse tão alta. Tinha pensado em iniciar com bem menos de R$ 10 mil, mais aplicações mensais de R$ 100."
Para o investidor Murilo Prima Dutra, de 33 anos, a aplicação inicial também foi determinante para decidir onde abriria seu clube com os amigos. Foram cinco corretoras contatadas em uma semana de pesquisa, mas os valores eram altos. "Não havia margem de negociação. Eles argumentavam que não era viável para a corretora abrir um clube com um patrimônio pequeno por causa dos custos", conta. Não deu outra: escolheram a que exigiu menos.
De fato, não é fácil encontrar corretoras que ofereçam a abertura de clubes por um investimento inicial acessível. Entre as 15 maiores casas do Brasil em termos de volume negociado pelo home broker, sistema de negociação direcionado aos investidores pessoa física, 13 trabalham com clubes de investimentos e 12 exigem, para começo de conversa, uma aplicação mínima de R$ 100 mil ou mais do grupo (confira na tabela abaixo).
“Os custos para manter um clube são muito altos”, diz o gerente comercial da Ágora. A corretora possui, por exemplo, uma equipe especialmente dedicada a cuidar da gestão dos clubes. Há ainda os gastos operacionais com o cálculo das cotas, as informações diárias e os extratos mensais a todos os cotistas. Para cobrir tudo isso, a taxa de administração cobrada pela Ágora é de 1,5% ao ano ou R$ 1,5 mil por mês, o que for maior. “Exigimos um investimento mínimo elevado para que essas despesas não impactem consideravelmente a rentabilidade.”
Fixar valores iniciais altos também é uma tentativa de garantir a diversificação da carteira de ações adquirida pelos investidores e de impedir a dependência do clube sobre um único cotista, explica o sócio-diretor da corretora Geração Futuro, Wagner Salaverry. “Procuramos evitar que a saída de um único investidor (cada cotista pode deter no máximo 40% do patrimônio do clube) provoque o desbalanceamento do equilíbrio da carteira”, diz. A corretora estabelece R$ 1 milhão como o valor ideal para dar início a um clube. "Mas o valor é negociável, caso os investidores demonstrem que têm chance efetiva de fazer o patrimônio crescer com o tempo", diz Salaverry.
A corretora Spinelli é a única das 15 líderes que exige valores menores para a abertura de clubes. Lá, é possível começar a aplicação com um investimento inicial de R$ 3 mil – para o grupo, e não individualmente – que deve conseguir somar R$ 30 mil em 12 meses. “Facilitamos o acesso dos investidores ao mercado, mas nosso objetivo é de que o patrimônio dos clubes cresça”, diz o diretor da corretora, Manuel Lois.

Para quem prefere não desembolsar uma “bolada” já no primeiro pontapé, a assessora de investimentos da corretora Gradual Doraci R. M. Julia costuma indicar aos interessados que apliquem em grupos já abertos. São clubes de outros grupos de pessoas que aceitam cotistas de fora. “Temos clubes que exigem a partir de R$ 100 por mês. Damos todo o suporte para novos investidores”, diz.
Outra alternativa é recorrer aos fundos de ações, sugere Salaverry. “A motivação para um grupo de pessoas abrir um clube está relacionada ao seu envolvimento direto e poder de decisão sobre a carteira de ações”, diz. “Se o objetivo não for esse, o mais interessante pode ser optar por um fundo.”
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Publicado em: 25 de agosto de 2008, 03h00
Alterado em: 25 de agosto de 2008, 03h00







