Imagem: Marcelo Corrêa/AE
Investidor deve aplicar regularmente
Quarta-feira, 20 de agosto de 2008, 03h00
Equilibre seus investimentos com ações e renda fixa
Saiba a hora de vender e comprar ações e de turbinar as aplicações mais conservadoras
Natália Rezende - AE
Não há uma fórmula mágica para saber qual o momento ideal de vender ou comprar ações. Mas existem estratégias que podem ajudar o investidor a estipular metas para definir quando realizar as operações na Bolsa.A maioria dos investidores, principalmente os inexperientes, se vê na dúvida na hora de optar por vender os papéis se eles subiram - pois pode ser que eles subam mais - ou de comprar ações quando estão em baixa – pois é possível que elas caiam mais. Uma das alternativas, por exemplo, é se basear na análise gráfica. Mas para quem não tem tanta familiaridade com a técnica, existem outras formas de organizar uma carteira de ações.
É preciso estabelecer planos objetivos de gestão de carteira para não se basear em métodos de “adivinhação”. Para isso, o Instituto Nacional do Investidor, INI, realizou uma análise com um modelo de gestão que consiste em estabelecer um porcentual do capital investido para a carteira de ações e outro porcentual para renda fixa, uma das técnicas que não requer prática nem habilidade por parte do investidor.
Ajuste os porcentuais
A idéia é ajustar esses porcentuais constantemente e manter os valores equilibrados. “O objetivo do método é fazer com que o investidor aplique regularmente, compre ações na baixa e venda na alta”, afirma o diretor do INI, Théo Rodrigues.
Para entender como funciona, vamos levar em consideração que um investidor aplicou 50% em ações e 50% em renda fixa. Se as ações dispararem, e o porcentual de distribuição dos recursos ficar com 70% em renda variável e 30% em renda fixa, o investidor terá que vender parte das ações (20% do valor) para redistribuir novamente de maneira igualitária, em 50% em cada.
Para quem tem um perfil mais moderado - o investidor que aplica mais em renda fixa, com medo das oscilações da Bolsa - também pode administrar sua carteira utilizando esse método de gestão. É só manter o mesmo porcentual aplicado no início, se baseando no modelo de equilíbrio. Por exemplo, se o investimento inicial foi de 85% em renda fixa e 15% em renda variável, esse patamar deve ser mantido.
O estudo avaliou os efeitos da metodologia por um período de 10 anos e chegou à conclusão de que o patrimônio obtido com a gestão da carteira foi mais de 15% superior ao obtido sem gestão nenhuma – ou seja, sem que haja um acompanhamento direto da carteira se ações, com ajustes sendo feitos todo mês.
Vale ressaltar que o estudo do INI não levou em consideração nenhuma forma específica de investimento em renda fixa, apenas considerou aplicações mais conservadoras. Algumas das possibilidades para o investidor, no entanto, são os Títulos do Tesouro e os fundos DI.
Disciplina e foco no longo prazo
Esse modelo de gestão pode ser considerado uma boa opção em momentos como o atual, de forte volatilidade e oscilações na Bovespa. Para o administrador de investimentos, Fábio Colombo, a estratégia é recomendada: “O investidor tem a possibilidade de aproveitar os períodos favoráveis tanto da Bolsa quanto da renda fixa”. Se a Bolsa está em baixa, é necessário tirar um pouco da renda fixa e aplicar em renda variável. No caso de alta, é preciso ajustar aplicando mais em renda fixa.
Colombo alerta que para manter uma gestão de carteira baseada nesse método de equilíbrio, é fundamental ter disciplina. “O ajuste deve ser feito todo mês e o investidor tem que comprar ações gradativamente quando elas estão em baixa e vendê-las na alta”.
Para o sócio-diretor da Refran Investimentos, Francisco Brant, o modelo de carteira sugerido pelo INI não é possível com uma visão de curto prazo. “Este tipo de gestão é inviável se não houver uma estratégia de longo prazo, ou um período superior a dez anos”. O consultor Rui Araújo, da Método Investimentos, concorda e acrescenta: “Apesar de ser para o longo prazo, o investidor deve monitorar de perto a carteira”.
| Saiba mais |
Publicado em: 20 de agosto de 2008, 03h00
Alterado em: 20 de agosto de 2008, 03h00







