
Imagem: Marcelo Corrêa/AE
Bolsa: descubra as boas oportunidades
Quinta-feira, 31 de julho de 2008, 03h00
Confira as ações que viraram “pechincha” após a queda da Bolsa
Nem sempre um papel que registrou queda expressiva possui uma perspectiva de recuperação no curto e médio prazo. Mas existem boas oportunidades na Bolsa
Vinícius Pinheiro - AE
Se o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deixou a desejar nos primeiros meses deste ano, para algumas empresas o resultado foi ainda pior. Levando em conta apenas as ações que compõem o Ibovespa, que reúne as companhias mais negociadas do mercado brasileiro, as perdas de algumas companhias chegaram a 60%, de acordo com dados da consultoria Economática, até ontem.Ainda é cedo para dizer se começou a temporada de “caça às pechinchas”, já que a previsão para o mercado financeiro ainda é de instabilidade. Os analistas consideram, porém, que vários papéis ficaram baratos e podem representar uma boa oportunidade de investimento.
É preciso ficar atento, pois nem sempre um papel que registrou queda expressiva possui uma perspectiva de recuperação no curto e médio prazo. Confira seguir as recomendações e o que dizem os especialistas sobre as ações do Ibovespa com pior desempenho no ano:

Gol PN – As ações do setor aéreo foram duramente castigadas pela escalada dos preços do petróleo. A mais atingida foi a Gol, cujas ações acumulam uma queda de 61,7% no ano. Para a chefe da área de análise da corretora Ativa, Luciana Leocadio, os papéis da companhia encontram-se baratos, mas devem continuar oscilando conforme as cotações do petróleo. “Por isso, o investimento é recomendado apenas para quem tem muito apetite pelo risco”, adverte.
Rossi Residencial ON – A alta da inflação, que levou o Banco Central a elevar a taxa básica de juros (Selic), prejudicou o desempenho em Bolsa das ações do setor de construção civil. Os papéis da Rossi acabaram registrando uma perda ainda maior por conta do resultado da empresa do primeiro trimestre, que veio abaixo das estimativas. De acordo com a equipe de análise da Planner Corretora, as ações encontram-se em patamares atrativos de preço, mas são uma opção apenas para quem tem visão de longo prazo, acima de um ano.
Embraer ON – A fabricante de aviões acabou sofrendo indiretamente pelos problemas enfrentados pelas empresas aéreas. Os investidores interpretaram que a alta nos preços do petróleo poderá levar as companhias a suspenderem as compras de novos aviões, o que afetará os resultados da Embraer, conforme um analista que preferiu não se identificar. A empresa nega e diz que a valorização pode representar uma oportunidade para aviões de menor porte, fabricados pela companhia.
TIM Participações ON e PN – Os resultados abaixo do esperado da operadora de telefonia celular desagradaram os investidores, que venderam as ações da companhia. Segundo a analista Maria Tereza Azevedo, da Link Investimentos, a empresa já reviu para baixo as metas para este ano e deve sofrer com o aumento da competição, a partir da entrada da Oi em São Paulo. Isso significa que, no curto prazo, os papéis da TIM devem se manter pouco atraentes, na avaliação da profissional.
Duratex PN – Além de acompanhar a queda de praticamente todos os papéis do setor, a fabricante de materiais de construção Duratex sofreu com o avanço dos concorrentes e o aumento nos custos de produção. Conforme a equipe de análise da Planner, após a queda, as ações ficaram muito baratas e são uma alternativa para compor a carteira do investidor que estiver disposto a suportar a volatilidade do mercado financeiro no curto prazo.
VCP PN – A desvalorização do dólar em relação ao real prejudicou o desempenho das empresas exportadoras, entre elas a Votorantim Papel e Celulose (VCP). As ações da companhia, no entanto, apresentaram uma queda maior do que as demais do setor. De acordo com a analista-chefe da Banif-Ixe, Catarina Pedrosa, esse movimento pode ser atribuído a um ajuste, já que os papéis da VCP eram negociados a preços superiores em relação aos concorrentes. “A queda não tornou os papéis baratos, eles apenas ficaram menos caros”, observa.
Telemar ON – A maior parte da queda das ações ordinárias (com direito a voto) da operadora de telefonia Oi (ex-Telemar) ocorreu após o anúncio da compra da Brasil Telecom (BrT), em abril deste ano. Segundo a analista Maria Tereza Azevedo, da Link, os papéis caíram porque os atuais detentores de papéis ON da Oi terão a participação diluída no processo de conversão das ações da BrT.
Ela considera o negócio positivo para a Oi, mas faz parte do grupo de especialistas que não recomenda a compra dos papéis agora. “Neste momento é mais interessante comprar as ações da ON da BrT, que possuem um potencial de ganho maior, pois serão alvo de uma oferta pública de aquisição (OPA) por parte da Oi”, explica.
Ambev PN – A combinação de alta dos juros, crescimento abaixo do esperado, dúvidas com relação à compra da cervejaria norte-americana Anheuser-Busch e até a entrada em vigor da chamada lei seca derrubou as ações da Ambev neste ano. Para o analista Renato Prado, da Fator Corretora, a reação dos investidores foi exagerada, por isso ele acredita que os papéis estão em um patamar atrativo para compra.
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Publicado em: 31 de julho de 2008, 03h00
Alterado em: 31 de julho de 2008, 03h00







