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Mesmo com instabilidade, fundos lucraram

Imagem: Marcelo Corrêa / AE

Mesmo com instabilidade, fundos lucraram

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Sexta-feira, 04 de julho de 2008, 03h00

Conheça a estratégia de fundos que surfaram na crise

Gestores fazem apostas variadas: tem desde ganhos com boi gordo até contratos de dólar. Mas risco é elevado

Vinícius Pinheiro - AE

Crise na economia dos Estados Unidos, dificuldades financeiras de bancos no exterior, disparada no preço das matérias-primas e preocupações com a inflação em todo o mundo. O primeiro semestre foi um período bem indigesto para os fundos de investimento, em especial os multimercados, que têm liberdade para atuar em vários segmentos ao mesmo tempo e possuem uma maior cobrança por resultados.

Houve, porém, um grupo de gestores que não só conseguiu se proteger como surfou na tempestade que atinge os mercados financeiros obtendo rentabilidades expressivas para os investidores.

É o caso, por exemplo, da Sparta Asset Management, empresa de gestão de recursos independente, ou seja, sem ligações com nenhum banco. Enquanto na média os multimercados renderam 4,27% nos primeiros seis meses do ano, os dois fundos pilotados pela Sparta registraram uma valorização 133% e 81%, respectivamente, de acordo com dados do site financeiro Fortuna.

Boi engorda lucro

Além de investir em ativos financeiros, a Sparta se diferencia por atuar no mercado de commodities (matérias-primas) agrícolas e é focada em administrar os dois fundos, explica Victor Nehme, gestor dos fundos da empresa. Os produtos possuem uma taxa de administração elevada, de 4% ao ano, mais taxa de performance de 20% sobre o que exceder o CDI – indicador de referência das aplicações. “Dá trabalho conseguir esse retorno”, argumenta. A rentabilidade apresentada pelos fundos já é líquida das taxas.

Ele afirma que o bom desempenho no semestre foi provocado principalmente pela alta no preço do boi gordo. “Antecipamos esse movimento comprando contratos futuros negociados na BM&F”, diz. Os fundos da Sparta também registraram ganhos nos mercados de petróleo e grãos, cujos preços também dispararam, de acordo com o gestor.

Nehme reconhece que dificilmente os resultados alcançados nos últimos meses se repetirão. “Devemos manter a performance acima da média, mas não esperamos que haja nenhum movimento tão forte como ocorreu com o boi gordo.”

Os riscos

As elevadas rentabilidades chamam a atenção, mas é importante que o investidor tenha ciência de que, para conseguir esses resultados, os gestores desses fundos precisaram correr maiores riscos, adverte Marcelo d’Agosto, diretor do site Fortuna.

O cálculo do risco desses fundos, de acordo com a metodologia do Value at Risk (Var) – que avalia o histórico de oscilação das cotas –, mostra que, no caso do Sparta, uma perda de até 17% em um mês seria considerada normal.

Confira também:
Ouça aqui entrevista com o gestor da Sparta
Estratégia de fundos vencedores inclui venda de ações e "pacote anti-crise" 

Opções e ações em alta

Outro fundo assumidamente mais agressivo e que também registrou uma forte rentabilidade no primeiro semestre é o Opportunity Midi, com ganho de 46% no período. De fato, a volatilidade do fundo medida pelo Var revela que o Midi pode sofrer uma perda mensal da ordem de 26%, pelos cálculos do diretor do Fortuna.

“O fundo pode perder muito porque assume um risco elevado. E é justamente por isso que ele ganha muito”, resume Dório Ferman, gestor do Midi. Para ele, o fundo é indicado para quem possui um horizonte de investimento de pelo menos cinco anos. “Em um mês, o risco do Midi é gigantesco, em um ano é considerado alto, e em cinco ele é aceitável”, afirma.

Nos primeiros meses do ano, as principais apostas do fundo foram no mercado de opções, contratos que conferem o direito de compra ou venda de um ativo a um preço predeterminado. No caso, os ativos escolhidos foram as ações da Petrobras e o dólar, de acordo com o gestor. Ferman destaca também o bom desempenho no período das ações que fazem parte da carteira do fundo, embora a Bolsa de forma geral não tenha apresentado um bom retorno.

Publicado em: 04 de julho de 2008, 03h00
Alterado em: 04 de julho de 2008, 03h00



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