
Imagem: Marcelo Corrêa/ AE
Planeje-se para investir
Quinta-feira, 03 de julho de 2008, 03h00
Aprenda a negociar suas dívidas
Juros menores e descontos no pagamento à vista são algumas das recomendações
Yolanda Fordelone - AE
Homem, com idade entre 31 e 40 anos, renda acima de R$ 760 e com dívidas que, em média, somam R$ 1.160. Esse é o perfil da maioria dos devedores em São Paulo, segundo a última pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A maior parte dos inadimplentes faz dívidas porque perdeu o emprego. Segundo especialistas, porém, mesmo que a situação esteja tão grave e o endividado esteja com uma renda baixíssima, há alternativas para quem quer sair do vermelho.O primeiro passo é organizar as finanças. “Não adianta o devedor pedir desconto, renegociar o débito ou pedir abatimento do juro se não estiver com a vida financeira equilibrada, ou seja, ganhando mais do que gasta”, diz o professor de finanças do Ibmec São Paulo, Liao Yu Chieh.
Em casos de desemprego, o endividado terá que fechar a carteira e segurar os gastos até melhorar a situação financeira. “O ideal é que as despesas de casa, como aluguel e contas de água e de energia elétrica, representem até 30% dos ganhos”, recomenda o consultor financeiro, Samuel Marques.
O portal AE Investimentos reúne abaixo dez dicas de especialistas para organizar e se livrar das dívidas:
1) Ponha todos os ganhos e todas as despesas na ponta do lápis
“O endividado deve começar fazendo um planejamento de toda a receita, incluindo salário, rendimento de investimentos, aluguel de imóveis se ele tiver, entre outros”, diz o professor do Ibmec. Além disso, é preciso fazer um mapeamento de todas as despesas. Segundo o consultor, se as finanças não estiverem equilibradas, o devedor começa a financiar a dívida todos os meses, recorrendo ao crédito rotativo do cartão de crédito, entre outros. O juro faz o valor devido ficar muito maior e dificilmente o consumidor consegue honrar seus compromissos.
2) Identifique quais são as dívidas de consumo e as de investimento
A próxima dica é que a pessoa faça uma classificação entre os tipos de compromisso. “As dívidas de consumo são aquelas de compras de roupas, no supermercado, contas de água e de energia elétrica, contas que o produto já foi consumido e não há jeito de o devedor negociá-lo no mercado”, explica a consultora Glória Maria Garcia Pereira. Já as dívidas de investimento são as relacionadas à aquisição de um automóvel e de imóveis.
“O consumidor deve avaliar as dívidas de longo prazo. Se a atual situação de inadimplência é passageira ou se é grave e deve continuar por um bom período”, indica. Segundo a especialista, se ela é passageira, recomenda-se que a pessoa refinancie o bem, negociando juro e parcelas menores. Caso a situação vá perdurar, a pessoa deve vender o bem antes que seja tarde de mais e ela o perca para o credor.
3) Negocie prazos e tamanho da parcela
O prazo e valor da parcela vão depender de quanto é a receita do devedor e de quantas são as obrigações dele. Mesmo com a facilidade de parcelar e financiar bens por longos períodos, recomenda-se que o a dívida seja paga no menor tempo possível, para que assim o juro não multiplique muito o valor da divida. Um imóvel financiado em 30 anos, por exemplo, pode custar até 70% mais caro que aquele financiado em 10 anos.
4) Negocie taxa de juro
“Uma saída é pedir desconto sobre os juros mais altos, cobrados em cartões de crédito e em cheque especiais”, indica a consultora, que calcula que a taxa varie entre 12% e 15% ao mês. Segundo ela, de acordo com a capacidade de pagamento do devedor, a taxa pode cair para 5% ao mês. “Se a pessoa tiver um imóvel próprio, carro e nunca ter tido o nome sujo, o juro fica menor”, avalia.
5) Peça abatimento de juros e multa
Se a dívida é um aluguel, muitas vezes é possível solicitar o abatimento do juro e da multa para o proprietário. “Desde que a pessoa se mostre preocupada em quitar o pagamento e que o atraso não ocorra com freqüência, é perfeitamente possível que o locador aceite receber apenas o valor do aluguel”, diz Chieh.
6) Peça descontos no pagamento à vista
Caso o devedor receba um dinheiro-extra, como o 13° salário, e consiga pagar a dívida à vista, a dica é pedir um desconto. “No caso das dívidas com bancos, há possibilidade de descontos maiores se a dívida for antiga e envolver um pequeno valor”, explica o consultor Marques. Segundo ele, ao publicar os balanços, os bancos já não contam mais com o dinheiro de débitos baixos e antigos. Por isso, tudo o que o devedor pagar é lucro para eles. “Além disso, sai caro para o banco entrar na Justiça para cobrar quantias baixas. No Brasil, os processos são solucionados, em média, em nove anos”, explica.
7) Recorra a financiamentos mais baratos
Para quem está se endividando ainda mais para pagar as dívidas mais antigas, uma recomendação: evite, a todo custo, usar o crédito rotativo do cartão de crédito. “Quando a pessoa faz isso, na verdade, ela está se financiando com o cartão de crédito, por uma taxa altíssima”, diz o professor. O devedor pode recorrer ao penhor de jóias, em que o juro é pouco mais de 2% ou ainda fazer um refinanciamento da dívida com o banco.
8) Cancele o cheque especial
Nem sempre é fácil se livrar dos créditos mais disponíveis ao consumidor, como cartão de crédito e cheque especial, que, devido à facilidade, cobram as maiores taxas de juros. Para não utilizar o financiamento desses meios de pagamento, a recomendação do Instituto Brasileiro de Estudos e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) é o cancelamento desses créditos. “Na maioria das vezes, as pessoas recorrem ao cartão porque ele é o crédito mais fácil do mercado. Você não precisa pesquisar onde solicitar o financiamento, nem organizar documentos para pedir o dinheiro”, afirma Liao, do Ibmec.
9) Priorize os pagamentos que podem te deixar sem residência e aqueles que têm juro maior
Apesar da morosidade da Justiça no Brasil, o devedor que está em débito com o aluguel ou com o financiamento da casa pode perder o bem. Especialistas recomendam que esses débitos sejam alguns dos principais a honrar. Aqueles com os maiores juros também devem ser liquidados o quanto antes. Isso porque são essas as dívidas mais caras de serem prolongadas.
10) Lembre-se: agiotagem é crime
O principal motivo para que o devedor, mesmo estando desesperado, não peça dinheiro a agiotas é que esse tipo de prática é considerado um crime, de acordo com a lei brasileira. Quem empresta a quantia, pode ser detido entre dois e dez anos. Para quem recorre a este agente, o maior prejuízo é o financeiro. As taxas de juros são altíssimas e muitos agiotas, na verdade, são golpistas. Alguns deles, por exemplo, pedem como garantia de empréstimo, cheques e notas promissórias em branco.
Publicado em: 03 de julho de 2008, 03h00
Alterado em: 03 de julho de 2008, 03h00







