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Não caia na conversa do palestrante

Imagem: Marcelo Correa/ AE

Não caia na conversa do palestrante

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Quinta-feira, 03 de julho de 2008, 03h00

Fuja do golpe: não entregue seu dinheiro a palestrantes

Alguns golpistas oferecem cursos e dizem ser profissionais do mercado aptos a fazer aplicações para o investidor

Yolanda Fordelone - AE

O número de investidores pessoas físicas mais do que dobrou no ano passado com o ingresso de quase 237 mil acionistas na Bolsa. Até junho deste ano, mais 30 mil interessados começaram a aplicar em ações. Com tantos investidores ávidos por informações, os golpistas viram mais uma oportunidade de enganar os investidores, por meio de cursos sobre ações.

“Houve um boom no número de investidores de primeira viagem que precisavam de informações para aprender melhor o funcionamento do mercado”, diz o superintendente de Proteção e Orientação a Investidores da CVM, José Alexandre Vasco. Tamanho interesse fez com que diversas empresas e algumas corretoras começassem a oferecer cursos de educação financeira. “O problema é que alguns palestrantes aproveitam o curso para se oferecer para aplicar o dinheiro dos alunos, mesmo não sendo apto para isso”, alerta.

Segundo Vasco, devido à empolgação do momento de ganhar muito dinheiro, os alunos acabam sendo induzidos pelo golpista, que diz estar há anos no mercado, e entregam os recursos. Após o depósito do dinheiro, o vigarista desaparece. O superintendente explica que os cursos nada mais são do que um disfarce para atrair investidores para um ambiente de negócios que não existe.

“Alguns cursos chegam a dizer que representam alguma corretora conhecida”, explica o superintendente. Nesses casos, a melhor opção é ligar para a corretora que o palestrante diz representar e checar se eles realmente oferecem treinamentos.

O investidor deverá ter um trabalho de verificar o telefone da corretora no site da própria empresa. Isso porque alguns golpistas passam números falsos. Quem atende fala que se trata de uma corretora.

Golpes ocorrem mais no interior do País

“Um dos casos mais recentes apurados pela CVM [Comissão de Valores Mobiliários] foi de uma consultoria de informática no sul do País que começou a realizar cursos e dizer que tinha autorização para captar recursos de terceiros e aplicar”, lembra o superintendente da CVM.

Os golpes ocorrem principalmente no interior do País, na região do Centro-Oeste, segundo Vasco. “No interior, as pessoas sentem mais dificuldade para ter acesso a informações e a profissionais e acabam tendo uma empolgação maior em começar a investir rapidamente”, argumenta.

A relação de nomes de falsos profissionais que a CVM identifica é publicada no site do órgão, na sessão “Alertas”. Basta clicar em “Alertas Anteriores” e, depois, no penúltimo link (“Suspensão das Atividades de Intermediação Irregular de Valores Mobiliários”). Para ver todos os nomes, não preencha nenhum campo. Clique apenas em buscar. 

Ao saber que sofreu um golpe, o acionista deve imediatamente comunicar o ocorrido à CVM, o órgão responsável por regular o mercado de capitais brasileiro. Para fazer o comunicado, você precisa escrever um recado no canal de reclamações do site. Caso tenha dúvidas, o investidor pode ligar para o número 0800-7260802 e verificar com os funcionários do órgão os procedimentos para a apresentação de reclamação.

Lembre-se que, antes de tornar-se cliente de uma corretora ou entregar seu dinheiro a alguém que diz estar autorizada a aplicar, é preciso checar se a empresa ou profissional está cadastrado na CVM. Apenas corretoras e agentes autônomos podem intermediar a compra e venda de ações. Para fazer a pesquisa, vá até a sessão “Participantes do mercado” no site do órgão e escolha a categoria do profissional (no caso, corretoras ou agentes autônomos).

 

Publicado em: 03 de julho de 2008, 03h00
Alterado em: 03 de julho de 2008, 03h00



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