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Poupança: retorno abaixo da inflação

Imagem: Marcelo Corrêa / AE

Poupança: retorno abaixo da inflação

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Quarta-feira, 02 de julho de 2008, 03h00

Poupança começa a perder força com a alta dos juros

Caderneta continua recomendada apenas para quem tem perfil conservador e menos de R$ 10 mil aplicados

Vinícius Pinheiro - AE

A lua-de-mel dos investidores com a caderneta de poupança está chegando ao fim. Depois de um breve período em que chegou a rivalizar com os fundos e outras formas de investimento, a atratividade da tradicional caderneta começa a diminuir em conseqüência da alta da taxa básica de juros (Selic).

No primeiro semestre deste ano, a rentabilidade da poupança chegou, inclusive, a ficar um pouco abaixo da inflação, de acordo com estimativa do administrador de investimentos Fabio Colombo, o que representa uma perda real de poder aquisitivo para quem possui aplicação na caderneta. O alerta fez muitos investidores se perguntarem: está na hora de sacar o dinheiro e buscar outra alternativa de investimento?

Para o diretor de Economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Frank Storfer, o investidor que possui um volume maior de recursos deve, sim, começar a pensar em outras aplicações.

Ele avalia que, historicamente, situações como a do ano passado – quando a poupança chegou a render mais do que outras aplicações de perfil conservador – não ocorrem com freqüência. “Do ponto de vista de investimento, a poupança é um jeito seguro de perder pouco”, resume.

A caderneta possui uma remuneração fixa de 6% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR). Isso significa que, faça chuva ou faça sol, o retorno para o investidor será de, no mínimo, 0,5% ao mês. Em momentos de queda da Selic, a tendência é de que a rentabilidade da caderneta se aproxime daquelas que são 100% atreladas aos juros, como por exemplo os fundos DI e os CDBs pós-fixados, com a vantagem de ser isenta de imposto de renda.

Segundo o professor Liao Yu Chieh, do Ibmec São Paulo, considerando a taxa de juros atual, de 12,25% ao ano, já vale a pena para o investidor migrar da poupança para um CDB que possua uma rentabilidade de pelo menos 75% do CDI. A regra é válida desde que os recursos se mantenham aplicados por, no mínimo, dois anos, prazo para que o investidor se enquadre na menor alíquota de IR, de 15%.

O professor avalia que a mudança de aplicação depende da visão do investidor sobre a trajetória os juros. “As taxas estão em alta agora, o que significa que o CDB tende a ficar mais atrativo, mas nada garante que daqui a dois anos elas já não tenham voltado a cair”, pondera.

Mesmo rendendo menos em relação a outros investimentos, a poupança continua atraindo recursos. No acumulado do ano até o dia 25 de junho, a captação líquida (aplicações menos resgates) da caderneta é de R$ 2,7 bilhões. De acordo com os dados mais recentes do Banco Central, o total depositado nas contas de poupança era de R$ 245,5 bilhões.

Poupador

Para o diretor da Anefac, a caderneta continua como uma boa alternativa para o chamado “poupador”, ou seja, aquela pessoa que procura guardar um pouco do dinheiro que sobra do orçamento a cada mês com um objetivo de curto prazo, como a compra de um carro.

Storfer afirma que, para quem possui até R$ 10 mil para aplicar, a mudança de aplicação pode não valer a pena. “Do ponto de vista financeiro, a diferença na rentabilidade é muito pequena”, explica.

O executivo lembra que o pequeno investidor dificilmente consegue uma taxa atrativa em um CDB e, no caso dos fundos de investimento, as taxas de administração cobradas pelos bancos podem comprometer a rentabilidade adicional da aplicação. “Para o poupador, a caderneta continua sendo a alternativa mais fácil e transparente de aplicação”, destaca.

Sobre a perda da poupança para a inflação em maio, Storfer considera que se trata de uma situação atípica. “Os fundos conservadores e o próprio CDB ficaram praticamente empatados com a inflação no mês passado, ninguém ganhou de lavada”, diz. Ele observa que, no médio prazo, a maioria das aplicações, incluindo a caderneta, deverão apresentar rentabilidade suficiente para manter o poder aquisitivo do poupador.

Publicado em: 02 de julho de 2008, 03h00
Alterado em: 02 de julho de 2008, 03h00



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