
Imagem: Marcelo Corrêa/AE
Fundo cambial perde espaço com real forte
Sexta-feira, 27 de junho de 2008, 07h00
Com queda do dólar, fundos cambiais viram “espécie em extinção”
Especialistas não recomendam aplicação, que perdeu 97% dos recursos nos últimos sete anos
Vinícius Pinheiro - AE
O fortalecimento do real em relação a várias moedas internacionais, em especial o dólar – que nesta semana cruzou a barreira de R$ 1,60 e se encontra nos menores patamares desde janeiro de 1999 – praticamente sepultou os chamados fundos cambiais. Esses produtos se tornaram relativamente populares quando a tendência da moeda norte-americana era de alta.
Desde o auge alcançado em dezembro de 2001, os fundos cambiais já sofreram resgates equivalentes a 97% dos recursos, de acordo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Os dados mais recentes mostram que existe R$ 584 milhões aplicados nesse tipo de fundo, o que representa apenas 0,05% do total do setor. Do universo de mais de 8 mil fundos existentes no mercado brasileiro, apenas 65 deles são cambiais.
A explicação para a quase “extinção” dos fundos cambiais é simples: a rentabilidade. Como o objetivo desses produtos é acompanhar a variação da moeda à qual estão atrelados – que pode ser o dólar ou o euro –, quem possui dinheiro aplicado nesse tipo de fundo praticamente só conheceu perdas nos últimos cinco anos.
Segundo o analista Marcelo Pereira, da TAG Investimentos, os fundos cambiais perderam o seu apelo com a melhora no quadro macroeconômico brasileiro nos últimos anos. “Nós não acompanhamos nem recomendamos esse tipo de fundo. Trata-se de uma aplicação que não tem significado nos dias de hoje”, ressalta. Mesmo para quem vai viajar e deseja se proteger da flutuação da moeda, ele considera mais interessante a compra direta da divisa em bancos ou casas de câmbio.
Para o analista, a melhor opção para quem deseja ganhar com a oscilação do dólar são os multimercados. “Ao contrário dos fundos cambiais, que precisam ficar comprados na moeda estrangeira seja qual for o cenário, os multimercados têm liberdade para apostar tanto na alta como na queda”, afirma. Nesse caso, o investidor entrega a decisão sobre o melhor momento de comprar ou vender para o gestor do fundo.
Reserva de valor
O superintendente-executivo de renda fixa e multimercados da área de gestão de recursos do Bradesco, Luis Roberto Zaratin Soares, avalia que os fundos cambiais devem ser vistos exclusivamente como uma forma de reserva de valor. “Nenhuma moeda possui rentabilidade, elas só variam em relação umas às outras, por isso esse tipo de aplicação serve mais para não perder do que para ganhar”, diz.
O Bradesco possui um total de R$ 80 milhões aplicados em fundos cambiais – a maior parte de investidores pessoa física. Segundo Soares, esse tipo de produto é indicado apenas para quem deseja ou necessita se proteger contra a flutuação da moeda estrangeira – caso a pessoa tenha, por exemplo, uma dívida em dólar –, e não como especulação. “Não recomendamos que o investidor entre ou saia de fundos cambiais apenas por conta da expectativa de alta ou queda da moeda.”
Como forma de investimento, o superintendente do Bradesco considera mais interessante a aplicação em fundos DI ou renda fixa, por conta da expectativa de que os juros reais (descontada a inflação) permaneçam elevados pelo menos pelos próximos dois anos. Para quem possui um apetite maior pelo risco e tem visão de longo prazo, o executivo destaca a possibilidade de ganhos em fundos de ações.
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Publicado em: 27 de junho de 2008, 07h00
Alterado em: 27 de junho de 2008, 07h00







