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Baratto começou na Bovespa com day trade

Foto: Arquivo pessoal

Baratto começou na Bovespa com day trade

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Quarta-feira, 02 de julho de 2008, 07h00

Vale a pena fazer day trade na Bovespa?

Conheça as experiências dos investidores que compram e vendem ações no mesmo dia

Mariana Segala - AE

Há seis meses Lucélio Claudio Baratto, de 22 anos, tornou-se mais um investidor da Bolsa de Valores de São Paulo. Mesmo iniciante, o aplicador de Cafelândia, no interior do Paraná, começou com uma estratégia considerada sofisticada. Ele compra e vende as mesmas ações, na mesma quantidade e no mesmo dia, alternativa chamada de day trade. “Sou impaciente. Prefiro atitudes rápidas”, comenta. “Não invisto para o longo prazo.”

Baratto desafia a recomendação mais usual dos consultores financeiros para pequenos investidores que se embrenham no mercado de ações. Em geral, a indicação é de que as aplicações sejam feitas pensando no longo prazo, principalmente em tempos de instabilidade no mercado como o atual. Papéis de empresas sólidas tendem a se valorizar somente no decorrer dos anos. Já com a estratégia do day trade, o paranaense procura se beneficiar das variações das ações no curtíssimo prazo – ocorridas muitas vezes por fatores que nada têm a ver com a saúde financeira das empresas.

“Observamos que muitos ‘traders’ (quem faz operações de curto prazo) não conseguem atingir lucro”, afirma Leandro Ruschel, sócio-fundador da escola de operadores gaúcha Leandro e Stormer Trading. “Eles acabam ficando no zero a zero ou até no prejuízo.”

Além de características de perfil do investidor necessárias para ser bem-sucedido – como conhecer a dinâmica dos preços e ter muito controle emocional – os custos financeiros do day trade também podem inviabilizar a operação (veja quadro com simulação no fim da matéria).

Custos

O preço da corretagem para cada compra e venda é um dos principais custos. Há corretoras que cobram um porcentual do valor da ordem. Outras estabelecem uma quantia fixa por operação, em geral em torno de R$ 20. Também incide Imposto de Renda, com alíquota de 20% sobre o lucro. Nas transações comuns, essa alíquota é de 15% e incide apenas quando o total de vendas de um mês supera R$ 20 mil. “Para quem entra com capital muito pequeno, os lucros não pagam os custos”, diz Ruschel.

Uma simulação elaborada por Ruschel mostra o peso dos custos fixos do day trade. O especialista considerou um investidor que tivesse comprado, diariamente, um lote de mil ações preferenciais da Petrobras desde o início de janeiro até o dia 24 de junho. Imaginando que ele tivesse acertado, todos os dias, o ponto de maior baixa para fazer a compra e o de maior alta para fazer a venda, teria conseguido um lucro bruto de 271% no período. Descontando os custos de corretagem, Imposto de Renda e emolumentos pagos à Bovespa, o lucro líquido cai para 182%.

O problema é que é impossível acertar sempre e com tanta precisão. Golear no ponto de compra e no momento ideal para a venda é coisa para poucos, alerta Ruschel. “É raro quem tenha um bom lucro”, diz. “É uma operação que dá muito trabalho e estresse para um resultado que tende a não ser tão bom.” Quando muito, afirma Leandro, os investidores conseguem aproveitar 10% dos movimentos de alta e baixa.

Apesar dos poréns, Lucélio garante que vem conseguindo lucrar. Aplicando em média R$ 40 mil pelo home broker, seu objetivo é conseguir R$ 1 mil por dia. Nem sempre dá certo. “Consigo em mais ou menos 30% das vezes.” Detalhando as contas no papel, o investidor afirma alcançar retorno médio mensal de 10% a 12%.

O consultor de informática Diego Nolde, de 26 anos, também conseguiu bons resultados no ano e meio em que fez day trade. Mas os prejuízos foram maiores. Ele fazia operações de um dia com ações e opções, que representam o direito de comprar ou vender uma ação numa data futura, a um preço determinado. “Cheguei a dobrar meu capital investido num mês. No seguinte, perdi tudo”, conta.

Depois do tombo memorável, Nolde passou a estudar outras formas de avaliar ações para investir – mas no longo prazo. Os lucros demoram mais para chegar, mas também são grandes. Além disso, o estresse é menor e a ansiedade é mais facilmente controlada. “Quem entra no day trade tem a ilusão de buscar lucro grande e rápido. Deixa de ficar satisfeito com uma rentabilidade de 2% no mês.”

Publicado em: 02 de julho de 2008, 07h00
Alterado em: 02 de julho de 2008, 07h00



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