
Imagem: Marcelo Corrêa/AE
Juro nos EUA deve ficar em 2% ao ano
Quarta-feira, 25 de junho de 2008, 07h00
Veja como a decisão sobre os juros nos EUA pode afetar os investimentos
Bolsa pode cair mais se BC norte-americano sinalizar que pode elevar taxa
Vinícius Pinheiro - AE
As atenções do mercado financeiro mais uma vez estão voltadas para a reunião do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), que nesta quarta-feira anuncia a decisão sobre a taxa de juros nos Estados Unidos. A principal preocupação, que até o início do ano era de uma recessão na maior economia do mundo, passou a ser a escalada da inflação.Desta forma, a trajetória dos juros nos EUA deixou de ser de queda, embora os riscos de uma forte desaceleração econômica e de novos problemas no setor financeiro norte-americano persistam. Até agora, a estratégia do Fed era de manter os juros em baixa para favorecer o consumo e aquecer a economia, à beira da recessão.
Para a reunião de hoje, no entanto, a expectativa da maior parte dos analistas é de manutenção dos juros nos atuais 2% ao ano. Por isso, o conteúdo mais aguardado é o do comunicado que justificará a decisão, no qual os investidores pretendem buscar pistas de quando o Fomc, o Comitê de Política Monetária do BC norte-americano, dará início a um ciclo de elevação das taxas.
Na análise da economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências, o BC norte-americano deve mostrar uma maior preocupação com a alta da inflação no comunicado da reunião de hoje. “Com isso, a reação imediata do mercado financeiro não deve ser positiva, pois os últimos indicadores mostram que a economia dos EUA segue muito fraca”, alerta.
Para o Brasil, o possível endurecimento do Fed significa novas quedas para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), segundo a economista. “A perspectiva de juros maiores nos EUA torna investimentos de maior risco, como a Bolsa, menos atrativos”, explica. Isso vale sobretudo para aplicações de maior risco em países emergentes, como o Brasil. O que significa que os investidores podem preferir tirar parte dos recursos da Bolsa brasileira para lucrar com os títulos americanos. A profissional da Tendências considera, por outro lado, que a tendência para o mercado de ações brasileiro ainda é de alta no médio e longo prazos, a despeito da decisão de hoje.
De acordo com o economista Francisco Pessoa Faria, da consultoria LCA, caso o Fed dê a entender no comunicado que poderá elevar os juros logo, o principal efeito imediato previsto é uma valorização do dólar em relação a outras moedas internacionais, como o euro e o iene japonês. Em momentos de alta de juros é natural que haja o fortalecimento da moeda do país num primeiro momento, já que mais investidores buscam investir em títulos do governo e a demanda pela moeda aumenta.
O economista alerta, por outro lado, que o mercado costuma fazer diferentes leituras para um mesmo fato. “Uma alta dos juros também pode levar os investidores a projetarem um cenário de economia mais fraca nos EUA”, diz. Caso os investidores façam essa interpretação, o dólar se enfraqueceria ainda mais, um efeito contrário ao desejado pelo BC norte-americano.
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Publicado em: 25 de junho de 2008, 07h00
Alterado em: 25 de junho de 2008, 07h00







