
Imagem: Marcelo Corrêa/ AE
Alguns papéis são mais arriscados
Sexta-feira, 20 de junho de 2008, 07h00
Vai investir em Bolsa? Analise o risco de sua carteira de ações
A decisão de investimento não deve se basear somente nas perspectivas de valorização do papel, dizem especialistas. Risco de maior ou menor volatilidade também deve ser levado em consideração
Yolanda Fordelone - AE
A decisão de investimento não deve se basear somente nas perspectivas de valorização da aplicação. Como especialistas costumam recomendar, a avaliação do risco do investimento também é importante na tomada de decisão. Para a sorte e comodidade dos investidores, algumas corretoras já trazem essa análise pronta para os clientes.
Uma ferramenta desenvolvida pela Cyrnel International e acessível por meio de alguns home brokers aponta, em números, qual é o risco da carteira e de cada ação específica do investidor. O simulador atribui uma nota que, na maioria das vezes, varia de 0 a 5. “Quanto maior a nota, maior o risco. Por determinação, o Ibovespa tem risco 1. Se uma ação tem risco dois, significa que ela tem o dobro de risco do índice ou o dobro de variabilidade”, explica o diretor da Cyrnel, Alexandre Oliveira.
O investidor também consegue identificar quais ações pesam mais no risco da carteira. “Um papel que represente 10% do risco da carteira, por exemplo, tem responsabilidade de 10% na variação do investimento”, diz Oliveira.
Além de avaliar a carteira atual, o investidor também pode fazer projeções de quanto será o risco da aplicação se ele vender ou comprar determinada ação. Por enquanto, somente a Theca, a Win (home broker da Alpes) e a Socopa oferecem o serviço. A Cyrnel, no entanto, negocia a ferramenta com mais duas corretoras.
Como diminuir o risco?
O próximo passo após identificar o real perigo que o investimento oferece é tentar diminuir o risco. A primeira alternativa é tentar diversificar o número de empresas e os setores em que elas atuam. Uma carteira com 10 ações, por exemplo, é menos arriscada que uma com três papéis.
“Uma maneira de diminuir o risco é proteger a carteira vendendo minicontratos na BM&F. A ferramenta da corretora indica quantos minicontratos de Ibovespa Futuro devem ser negociados para que a carteira fique protegida”, afirma o sócio-diretor da Theca, José Ramon Portela Barreiro. Utilizando a estratégia, o acionista fará o que os especialistas chamam de “hedge”.
Hedge nada mais é do que uma operação em que o investidor visa proteger a carteira, assumindo uma posição contrária no mercado futuro ou de opções. Se o investidor aplica em ações, ele espera que a cotação dos papéis suba e, assim, ele consiga alcançar lucro. Mas, caso ocorra o contrário, os preços caiam, o acionista está desprotegido. “Quando a pessoa vende minis, ela espera que o Ibovespa caia. Caso isso aconteça, ela perde no mercado à vista, mas ganha no mercado futuro”, explica Barreiro.
Quando o investidor consegue montar uma operação em que o valor perdido é o mesmo que o ganho, os especialistas falam que foi realizado um “hedge perfeito”. “A ferramenta faz uma proteção de até 90% da carteira, não é um hedge perfeito”, explica o sócio da corretora.
Por enquanto, somente a Theca implementou a ferramenta de risco com essa opção que mostra os investimentos em minicontratos. Segundo Oliveira, porém, nos próximos meses, os investidores devem ter mais opções de corretoras com esse tipo de análise.
Investidor também pode fazer análise de momentos de crise
Qual seria sua reação se, em um único dia, a Bolsa caísse 9,17%? A desvalorização foi vivenciada pelos acionistas que aplicavam na Bolsa no dia 11 de setembro de 2001, data em que ocorreu o atentado contra as Torres Gêmeas nos Estados Unidos. “Os acionistas mais recentes, dos últimos cinco anos, só aplicaram na alta da Bolsa. Apesar de algumas baixas com a crise dos EUA, em geral, a Bovespa esteve em tendência de alta”, avalia Barreiro.
Pensando nisso, a ferramenta traz um simulador de crises. Nele, é possível verificar qual seria o risco da carteira em cinco momentos de baixa no mercado: crise da Rússia, queda das Torres Gêmeas, crise da Ásia, crise da Argentina e crise nas eleições de 2002 (Veja o desempenho do Ibovespa em cada um desses períodos de tensão).
Além de verificar o risco do investimento, os acionistas também podem descobrir qual seria a estratégia de proteção naquele momento. Ou seja, quantos minicontratos de Ibovespa deveriam ter sido vendidos. “A ferramenta ensina que o investimento em Bolsa não tem somente valorização”, argumenta o sócio da Theca.
Saiba mais:
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Publicado em: 20 de junho de 2008, 07h00
Alterado em: 20 de junho de 2008, 07h00







