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Tendência de alta do juro: onde investir?

Imagem: Marcelo Corrêa/AE

Tendência de alta do juro: onde investir?

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Terça-feira, 17 de junho de 2008, 07h00

Os juros e as ações: veja quem pode se beneficiar da alta

Setor bancário pode ser favorecido, mas opinião não é consensual entre os analistas

Mariana Segala - AE

Perspectivas de alta nos juros básicos da economia (Selic) costumam movimentar os pregões da Bolsa de Valores de São Paulo – geralmente, de forma negativa. Vêm à tona temores de que a Selic mais alta inviabilize o crescimento das empresas e, conseqüentemente, reduza seus lucros. Além disso, taxas elevadas estimulam os investimentos a juros, menos arriscados que o mercado acionário. Apesar do cenário, há quem faça do limão uma limonada. É o caso dos bancos, um dos únicos setores em que as ações podem sair ganhando com a escalada das taxas.

“Pelo que vejo, os bancos já estão se beneficiando”, afirma o economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira. “É um bom momento para comprar ações das instituições financeiras.”

Repasse – Segundo Vieira, os bancos podem ganhar porque conseguem repassar a alta dos juros determinada pelo governo para os tomadores de crédito. “Atualmente, eles já trabalham com taxas de 14% ao ano”, afirma. Juros dessa magnitude são esperados pelo mercado financeiro só para o fim do ano. A Selic hoje está em 12,25% ao ano, mas os analistas ouvidos semanalmente pela pesquisa Focus do Banco Central calculam que chegue aos 14,25% até dezembro.

Os bancos ganham ainda nas aplicações que fazem em títulos do governo. Com os juros subindo, a rentabilidade oferecida nesse investimento também aumenta. “Bancos lucram ao aplicar e têm também a vantagem de repassar”, diz Vieira. A corretora lista entre suas recomendações de compra os papéis preferenciais do Bradesco e do Itaú. O preço-alvo do primeiro é de R$ 54 por ação até o fim do ano, com potencial de alta de cerca de 49% frente ao fechamento de sexta-feira, a R$ 36,20. Já para as ações do Itaú o preço-alvo é de R$ 49,46, com potencial de alta de 36%.

Divergências – A opinião de que as ações do setor bancário são favorecidas com a alta dos juros, no entanto, não é consensual entre os analistas. “Não existe setor que se beneficie desse cenário”, afirma o economista-chefe da corretora Gradual, Pedro Paulo Silveira. “Juros em alta são ruins para ‘ações’ como um todo.”

Para o economista, o setor bancário brasileiro vem experimentando um momento de concessão de crédito que o beneficia fortemente. “Com o aumento dos juros, isso pode se reduzir”, diz. O analista da corretora Concórdia Eduardo Kondo concorda. “Para os bancos crescerem em crédito, o ambiente econômico precisa estar estável”, afirma. “Por isso, nem para os bancos a alta da Selic é boa.”

Varejo – Já para o setor de varejo os analistas concordam que a alta dos juros só tende a prejudicar as ações. “É um setor que de imediato reflete o aumento”, afirma Vieira, da Souza Barros. A elevação da Selic vem exatamente para tentar frear o consumo e segurar a evolução da inflação, ocasionada pela demanda por produtos maior que a oferta nos estabelecimentos comerciais. “Mas num segundo momento vem o fim do ano, quando normalmente as vendas dão uma arrancada”, diz. As vendas dessa época poderão ajudar a manter o preço dos papéis nos atuais patamares, opina o economista.

Para os conservadores...

Para quem investe em títulos públicos a partir do Tesouro Direto, o atual cenário não deixa muitas alternativas além dos papéis pós-fixados, como a Letra Financeira do Tesouro (LFT), com o rendimento atrelado à Selic. “Com a expectativa de alta dos juros, é difícil dar uma indicação diferente da LFT”, afirma o gerente de renda fixa da corretora SLW, Roberto Fargetti.

O título pós-fixado é considerado menos arriscado por acompanhar a evolução da Selic. Já papéis prefixados como a Letra do Tesouro Nacional (LTN), que têm o rendimento definido já na hora da compra, costumam ser vistos como opções de maior risco – se os juros subirem, a rentabilidade oferecida por eles (que costuma ser mais alta) pode se tornar pequena.

Para investidores moderados, Fagetti recomenda a estratégia “fifty fifty”. “Acredito que o aplicador que optar por uma LFT com vencimento em 2012 e outra LTN para o mesmo período será ganhador”, sugere. O título pós-fixado serve de proteção contra a oscilação dos juros e o prefixado vem para ampliar os ganhos. Atualmente, LTNs com vencimento em julho de 2010 oferecem rentabilidade de 15,02% ao ano. Já Notas do Tesouro Nacional série F, também prefixadas, de janeiro de 2012 pagam 14,86% anuais.

Publicado em: 17 de junho de 2008, 07h00
Alterado em: 17 de junho de 2008, 07h00



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