Patrocínio
17:01 | 14/03/2008 Veja mais datas
AE Investimentos




Notícias| Especiais

Avalie esta notícia :
0 votos


Quinta-feira, 05 de junho de 2008, 07h00

Faça chuva ou faça sol, investidor quer título prefixado

Historicamente, quem aplica no Tesouro Direto prefere papéis com rentabilidade definida na compra, mesmo quando juros estão em alta

Mariana Segala - AE

Não importa o cenário: quem investe em títulos públicos do governo por meio do Tesouro Direto prefere comprar papéis prefixados, que têm a rentabilidade definida já no momento da negociação. É o caso das Letras do Tesouro Nacional (LTN) e das Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F) que, ano após ano, vêm representando a maior fatia dos títulos vendidos pelo sistema. O mesmo é verificado também nas épocas em que a tendência dos juros básicos da economia (a Selic) é de alta, quando investimentos pós-fixados são os mais recomendados pelos analistas. É a situação dos últimos meses, reforçada ontem, quando o Banco Central elevou a taxa de 11,75% anuais para 12,25%.

"Em linhas gerais, as pessoas têm um pouco de receio quanto a flutuações futuras", explica o gerente de Relacionamento com o Investidor da Dívida Pública do Tesouro Nacional, André Proite. "Os títulos prefixados são uma opção de certeza sobre a rentabilidade durante um determinado período."

Os números do Tesouro Direto mostram que desde 2002, quando foi criado o sistema de negociação dos papéis públicos pela internet, a parcela de prefixados foi sempre a maior, chegando a quase 59% do total em 2005. A exceção foi 2004, quando os títulos indexados à inflação foram os mais vendidos.

Segundo Proite, o comportamento dos investidores não tem a ver com a oferta privilegiada de alguma classe de título. Os interessados sempre tiveram à disposição pelo menos um tipo de papel prefixado, um pós-fixado e um atrelado à inflação.

Para o professor de finanças Rafael Paschoarelli, autor do livro "A regra do jogo", falta entender melhor os meandros dos títulos públicos. "Os investidores não têm a exata noção do risco de um papel prefixado", afirma. Não se trata, é bom lembrar, de risco de crédito – em outras palavras, de calote. Mas sim de risco de mercado, ou seja, da oscilação da taxa de juros.

Risco de mercado

O risco de mercado é especialmente importante para quem não tem intenção de carregar o título público até a data do seu vencimento. Explique-se: quem resgata o papel na data acertada recebe a rentabilidade combinada na compra. Mas quem resolve se antecipar embolsa o valor de mercado do dia para o título.

"Na hipótese de sair antes do vencimento, o investidor em títulos prefixados tem chance de resgatar menos dinheiro do que aplicou", exemplifica Paschoarelli. Esse risco é maior quando a tendência é de aumento dos juros básicos da economia, pois a taxa combinada lá atrás passa a ser considerada baixa frente às novas taxas praticadas no mercado. Isso faz o valor do título cair.

"Com a LFT (Letra Financeira do Tesouro, papel pós-fixado atrelado à Selic), essa chance é muito mais remota", afirma o professor. "Quem compra pós-fixados está sempre surfando na crista da onda, seja ela de alta ou de baixa."

Para o diretor-executivo da BI Invest, Reinaldo Zakalski, o raciocínio de quem só compra títulos prefixados é o mesmo de quem procura investir em imóveis, como terrenos ou casas. "A intenção é preservar o valor", afirma. "Quem opta pelo Tesouro Direto dá um passo enorme à frente, pois investe sozinho. E nesse caso, escolhe o investimento baseado no seu instinto de preservação."

Apesar dos poréns, optar pelos prefixados não é uma estratégia incorreta, afirmam os analistas – até porque os juros reais no Brasil ainda são dos maiores do mundo. "Para quem quer tranqüilidade, prefixados podem ser melhores", diz Proite, do Tesouro. Já para quem pretende se beneficiar das variações dos juros, o melhor é seguir as indicações e apostar nos pós-fixados quando as taxas estão subindo.

A recomendação do professor Paschoarelli é apenas uma: "Compre títulos públicos que vençam no momento em que você espera usar o dinheiro, para não precisar sair antes." Caso contrário, o resultado pode ser desfavorável para o investidor.

Leia mais sobre Tesouro Direto

Como se aposentar com títulos do Tesouro

Publicado em: 05 de junho de 2008, 07h00
Alterado em: 05 de junho de 2008, 07h00



TAGS:



COMENTÁRIOS



NOTÍCIAS RELACIONADAS